Como Nasceu um Jornalista de Investigação?

Nascido em 1951, numa família de exilados portugueses, Carlos Cardoso foi criado durante a luta armada de Moçambique pela independência do domínio de Portugal. Foi educado na Africa do Sul, irritando o regime de apartheid com a sua franqueza. Nos finais de 1974, a FRELIMO, movimento de guerrilha Marxista, tomou o governo (the Portuguese colonial governo). Entretanto, as autoridades da Africa do Sul deportaram Carlos Cardoso para Lisboa, onde permaneceu apenas alguns meses, regressando a Moçambique a tempo de testemunhar a declaração oficial de independência da FRELIMO no dia 25 de Julho de 1975.

Em 1976, ansioso por participar na construção de nova Africa socialista, Carlos Cardoso entrou para o jornal Tempo, um jornal estatal, mas o seu jornalismo agressivo frequentemente incomodava a liderança da FRELIMO. Em 1979, Carlos Cardoso foi enviado para fazer a cobertura musical para a rádio estatal, Rádio Moçambique, uma despromoção humilhante para o jovem repórter político em ascensão. Em 1980, depois de regressar às boas graças da FRELIMO, foi nomeado editor da agência noticiosa estatal, AIM, o que significou um passo em frente no sentido de uma aproximação do núcleo duro do partido. Em poucas semanas, Carlos Cardoso tornou-se amigo de funcionários superiores do partido, incluindo o então Presidente Samora Machel e continuou a cultivar estas fontes ao longo da sua carreira.

Em Outubro de 1986, o Presidente Machel morre num acidente de aviação na Africa do Sul, muitos culparam o regime de apartheid na Africa do Sul, apontando para o facto de que, sob a liderança de Machel, Maputo se tinha tornado um refúgio para os militantes exilados do Congresso Nacional Africano. Na época, a Africa do Sul estava também a apoiar a Resistência Nacional de Moçambique (RENAMO), um movimento de guerrilha originalmente patrocinada por Ian Smith, o líder branco da Rodésia, tendo em vista a sabotagem do governo de maioria negra em Moçambique.

Carlos Cardoso, um aventureiro por natureza, acabou por cair nas boas graças do novo governo, conduzido pelo Presidente Joaquim Chissano. Em 1989, Cardoso demitiu-se da AIM. Três anos mais tarde, com alguns outros que também tinham abandonado os media estatais, funda o Mediafax. A nova publicação colocou alta a fasquia da reportagem de investigação, publicando artigos sobre tópicos tão diversos como as negociações secretas que conduziram ao fim da guerra civil ou ao problema dos ministérios não conseguirem pagar as contas de electricidade. Um artigo no The New York Times, em Março de 1993, descrevia o Mediafax como a “vanguarda” da imprensa livre em Africa. Em Janiero de 1994, Carlos Cardoso e os seus parceiros lançaram também um novo semanário a que chamaram Savana.

Em 1997, Carlos Cardoso abandona o Mediafax e lança uma publicação rival chamada Metical. Fiel às suas raízes socialistas, dirigiu o Metical como uma cooperativa, onde editores e auxiliares recebiam o mesmo salário, mas enquanto Cardoso se mantinha fiel aos seus ideais, Moçambique estava a mudar radicalmente. Na década seguinte, a FRELIMO abandonou bastante a economia de planeamento central introduzida aquando da independência, em 1975.

Após a morte de Machel, o Presidente Chissano recebeu um país devastado por séculos de poder colonial e destroçado por uma guerra interna contra a RENAMO. Moçambique tinha sido um estado cliente dos Soviéticos desde a independência, mas a subida ao poder de Chissano coincidiu com as reformas da “glaznost” de Mikhail Gorbachev, a que se seguiu o colapso do bloco Soviético e o fim da Guerra Fria. A Moçambique nada mais restava do que cortejar as forças vitoriosas do Ocidente.

Assim, a FRELIMO converteu-se ao capitalismo. Em 1987, o Presidente Chissano aprovou um Programa de Reabilitação Económica do Banco Mundial­FMI e ordenou a privatização de mais de 1.200 empresas estatais. Em 1992, o governo capitalista, acabado de nascer, criou o Banco Comercial de Moçambique (BCM), uma decisão que haveria de ter consequências fatídicas para a carreira de Carlos Cardoso. (in CPJ)

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