O país vive neste momento um espectro de medo e agitação com alguma incerteza em torno da situação político social como consequência dos desdobramentos subsequentes a realização das 7ª eleições presidenciais e legislativas em Moçambique.
As desconfianças sobre a justiça eleitoral entre os intervenientes, consubstanciadas em casos de fraudes comprovadas na votação da semana passada, dia 9 de Outubro 2024, agudizaram ainda mais as diferenças políticas por sobre os principais actores envolvidos no presente momento eleitoral em Moçambique.
Não há sinais de aproximação de posições, na medida em que, o que se pode ver é que as partes tendem, cada uma a esticar a corda ao máximo. O medo está instalado e pode ser uma situação de anarquia. Não há quem decide sobre a ordem no país. Aparentemente, há neste momento dois pólos de poder; o primeiro sob controlo das entidades oficiais do estado enquanto o segundo exibe a sua influência nas massas populares.
A ‘ordem’ de Venâncio Mondlane sobre a convocação da greve geral para a próxima segunda-feira em todo país parece que foi acatada e algumas entidades oficiais assumiram-na e já anunciaram o seu encerramento no dia 21, ‘por questões de segurança’ alegam, mas por outro lado o estado através das suas instituições não parece ter capacidade para desdizer as recomendações da oposição – há uma grande probabilidade de o funcionamento das instituições ser afectado nos próximos dias; aliás nas cidades de Nampula e Beira o funcionamento do sector público e privado está a ser severamente impactado negativamente desde a última passagem de Mondlane.
Venâncio Mondlane não tem armas, mas os jovens que por ele dão as caras por onde ele passa prometem ir até as últimas consequências. A crise está instalada com o momento eleitoral ao rubro.
No entanto enquanto o país aparentemente funciona a meio gás pela crise política e também pelo momento de transição constitucional, as instituições sobre controlo do regime frelimista em Maputo parece acelerar os processos de diligências burocráticas para encerrar o processo eleitoral e transitar para a fase de sucessão do poder entre Filipe Nyusi e Daniel Francisco Chapo numa situação de tranquilidade pública.





