Um novo guia de recursos e “kit” de ferramentas do Banco Mundial e do Programa Global de Vida Selvagem (financiado pelo “Global Environment Facility”) apresenta o Parque Nacional da Gorongosa em Moçambique como um estudo de caso de sucesso e modelo de uma “Parceria de Gestão Colaborativa” público privado para gerir áreas de conservação e apoiar o desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Apesar do valor da biodiversidade e do papel que áreas de conservação, como parques e reservas nacionais, desempenham na mitigação das mudanças climáticas e na garantia do capital natural do mundo, existe uma enorme lacuna de financiamento em todo o sector de conservação. Por exemplo, os investigadores descobriram que um valor adicional de 1,5 mil milhões de dólares Americanos (US $1.5 billion) é necessário anualmente para gerir efectivamente as áreas de conservação com leões em África.
Para resolver este défice de financiamento, 15 governos Africanos estabeleceram 40 parcerias com 13 parceiros privados, cobrindo aproximadamente 11,5% das áreas de conservação de África. Os investigadores descobriram que o financiamento médio para estas áreas na África é quase três vezes maior com parcerias público privadas.
Moçambique reconhece o potencial destas parcerias e já estabeleceu cinco grandes acordos públicos privados em áreas-chave de conservação, como o Parque Nacional da Gorongosa, bem como várias parcerias menores para fornecer apoio financeiro e técnico a outros parques e reservas.
Graças a uma parceria público privada estabelecida em 2008 entre o Governo de Moçambique e a Fundação Greg Carr, o Parque Nacional da Gorongosa é hoje considerado uma das histórias de conservação e desenvolvimento sustentável mais bem sucedidas do mundo.
A colaboração está garantida até pelo menos 2043, ano em que expira o presente acordo. Os membros da equipa do Projecto da Gorongosa, como Dominique Gonçalves, contribuíram com ideias e dados da última década para o Banco Mundial.
“Espero que o modelo da Gorongosa crie novos defensores e financiadores para projectos integrados de conservação e desenvolvimento em Moçambique e África, promovendo uma nova visão positiva dos parques nacionais Africanos como ‘motores de desenvolvimento humano sustentável” diz Dominique Gonçalves, Gestora do Projecto de Ecologia de Elefantes do Parque Nacional da Gorongosa citado num comunicado recebido na nossa redacção.
O “kit” de ferramentas do “Collaborative Management Partnership” foi generosamente apoiado pelo “Global Wildlife Program” (financiado pelo “Global Environment Facility”) e é uma das análises mais abrangentes de parcerias público privadas em África, servindo como um guia de referência para governos e parceiros de implementação que estão a considerar colaborações para enfrentar os desafios e ameaças às áreas protegidas e à vida selvagem.
Este novo recurso poderoso aumenta a consciencialização sobre as experiências de parceria em África e destaca as melhores práticas, benefícios, desafios e lições aprendidas. Embora os modelos de estudo de caso e as lições do “kit” de ferramentas sejam derivados de áreas protegidas nacionais em África, como o Parque Nacional da Gorongosa, podem ser aplicados a áreas protegidas privadas e comunitárias, bem como a outras áreas de conservação em todo o mundo.





