World Vision Apela ao Fim dos Ataques Contra o Trabalho e Trabalhadores Humanitários

Por ocasião do Dia Mundial da Ajuda Humanitária, celebrado a 19 de agosto, a WorldVision apela aos líderes para que façam muito mais para proteger o trabalho dos trabalhadores humanitários que estão a ser mortos e feridos em número cada vez maior e impedidos de prestar assistência às pessoas envolvidas em conflitos.

No ano passado, centenas de funcionários em dez países onde a WorldVision realiza operações de resposta humanitária foram forçados a hibernar, mudar de local, evacuar ou suspender temporariamente as operações face ao aumento dos conflitos e à crescente insegurança.

O impacto sobre a capacidade da WorldVision de prestar ajuda a algumas das pessoas mais vulneráveis do mundo exige um apelo, juntamente com outras agências humanitárias, ao fim dos ataques contra humanitários e populações civis e à impunidade dos autores desses ataques, em violação do Direito Internacional Humanitário.

No Sudão, o conflito súbito que se agravou em abril de 2023 levou à suspensão das operações em grande parte do país. As operações estão novamente em funcionamento, mas o pessoal trabalha agora em zonas de conflito activo. A sede da WorldVision no Sudão teve de ser transferida de Cartum para o Porto Sudão.

Na Ucrânia, os funcionários enfrentam a ameaça de ataques com mísseis e foguetes, e recebem alertas através de aplicações e mensagens de texto e têm de hibernar em bunkers (abrigos).  Os avisos de tais ataques podem ocorrer várias vezes por dia, perturbando as actividades quotidianas.

No Haiti, em março de 2024, uma onda de violência entre bandos forçou a hibernação do pessoal na capital, Port-au-Prince, algumas evacuações de pessoal e a interrupção das condutas de distribuição de ajuda na sequência da tomada do porto.

As operações em algumas zonas do Burkina Faso, Níger, Mali, Nepal, Timor-Leste, República Democrática do Congo e Síria foram também temporariamente suspensas durante os últimos 12 meses devido à insegurança.

Em Moçambique, em Maio deste ano, trabalhadores humanitários foram vítimas de ataques na província de Cabo Delgado, onde sem precedentes, viaturas de agências humanitárias e outros meios foram capturados por homens armados não estatais forçando trabalhadores humanitários a procurar abrigado em zonas seguras abandonando deste modo, assistência a populações em situação de vulnerabilidade.

O ano passado foi o ano mais mortífero de que há registo para os trabalhadores humanitários de todas as organizações, uma vez que se viram cada vez mais envolvidos em conflitos ou foram alvo de agentes armados. Foram mortos 280 humanitários, na sua maioria cidadãos nacionais. Mas 2024 está a caminho de ser ainda pior.

Neste Dia Mundial da Ajuda Humanitária, a WorldVision apela ao fim dos ataques contra trabalhadores e bens humanitários, bem como contra civis, e à responsabilização daqueles que cometem violações do direito humanitário.

Moussa Sangara, Director de Operações Humanitárias da WorldVision, afirmou: “As acções dos trabalhadores da ajuda humanitária realizam-se frequentemente em algumas das regiões mais difíceis, desesperadas e perigosas do mundo. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para manter o nosso pessoal em segurança, mas temos de o fazer ao mesmo tempo que damos resposta a necessidades cada vez maiores num mundo onde os conflitos estão a alastrar”.

“No Dia Mundial da Ajuda Humanitária, é importante reconhecer o trabalho de todos os trabalhadores humanitários e recordar aqueles que perderam a vida ou foram feridos ao ajudar os outros. Devemos recordar aos líderes que os humanitários não devem ser visados ou obstruídos. O nosso imperativo humanitário consiste em prestar ajuda e assistência a quem quer que esteja em necessidade, com base nos princípios da imparcialidade e da neutralidade.”

O direito internacional humanitário é um conjunto de regras que procura limitar os efeitos dos conflitos armados. Estabelece as responsabilidades dos Estados e dos grupos armados não estatais durante um conflito armado e exige a passagem sem obstáculos da ajuda humanitária, a liberdade de circulação dos trabalhadores humanitários, a protecção dos civis (incluindo os trabalhadores humanitários) e a protecção dos refugiados.

A WorldVision tem mais de 22.000 funcionários em 58 escritórios nacionais e países de implementação de resposta. Embora a maioria esteja classificada como de risco baixo ou médio, as operações humanitárias e de desenvolvimento também têm lugar em países e áreas afectadas por conflitos armados, criminalidade, violência de gangues e ameaça de violência sexual. Nenhum membro do pessoal foi morto em conflitos em 2023-24.

A WorldVision leva a segurança e a protecção do pessoal de forma séria, pelo que, os seus Conselheiros de Segurança avaliam constantemente os cenários de segurança de cada país e fornecem orientações. O pessoal que trabalha em contextos de alto risco é obrigado a submeter-se a uma formação e certificação de segurança regular e sólida. A WorldVision igualmente oferece formação em resiliência de saúde mental e acesso a serviços de apoio para ajudar o pessoal a lidar com o desafio de trabalhar em ambientes inseguros.

 

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