O antigo presidente moçambicano Joaquim Chissano não vê com bons olhos o julgamento e condenação de Manuel Chang semana passada em um tribunal dos Estados Unidos da América no segmento do escândalo das dívidas ocultas.
Falando esta quinta-feira a jornalistas em Maputo, o antigo Chefe de Estado considera que os EUA julgaram Manuel Chang em função dos interesses deles quando a parte lesada no caso é essencialmente moçambicana. “Os EUA julgaram a ele numa perspectiva dos interesses americanos; eu penso que teria sido mais uma lição se a condenação para todos os implicados se tivesse sido julgado em Moçambique como foi para os outros envolvidos no mesmo caso.
A reacção de Chissano acontece numa altura em que formalmente o governo do dia ainda não reagiu a condenação de Manuel Chang, que aliás a sua defesa alega que assinou as garantias por orientação do seu chefe, na altura Armando Emilio Guebuza.
Para Joaquim Chissano, que confirma que na Frelimo também há corruptos, o julgamento de Chang em Moçambique teria julgado sido em conformidades com os prejuízos que ele causou ao seu país e não como os americanos estão a ver.
Um jornalista perguntou a Chissano se o julgamento de Manuel, antigo ministros das Finanças não mancha a imagem do país ao nível internacional. A essa pergunta Chissano responde que são os nacionais que devem trabalhar para garantir uma boa imagem do seu país; os corruptos devem ser denunciados e tratados como manda a lei porque a corrupção deve ser vencida.
Na quinta-feira passada, agências nacionais e internacionais confirmaram que Manuel Chang tinha sido condenado por um tribunal dos Estados Unidos, (Tribunal Federal do Brooklyn, Nova York), pelo seu envolvimento na fraude de 2 mil milhões de dólares em empréstimos a três empresas do governo de Moçambique, (Proindicus, EMATUM e MAM).
Para além de cidadão moçambicano Manuel Chang desempenhou várias funções e ocupou posições de topo de governo em Moçambique e foi na qualidade de Ministro das Finanças que terá recebido 7 milhões de dólares em subornos em troca da aprovação de uma garantia do governo de Moçambique para empréstimos a três empresas estatais com vista a desenvolver a indústria pesqueira do seu país e melhorar a segurança marítima.Mas o advogado de Chang, Adam Ford, argumentou que o seu cliente aprovou a garantia do governo de Moçambique porque o presidente do país, na altura Armando Emílio Guebuza assim o queria, e o advogado acrescentou também que não havia provas de que os 7 milhões de dólares se destinavam a ChangA 29 de Julho passado o governo, através da Procuradoria-geral da República, foi célere para celebrar o provimento da sua acção civil intentada no tribunal de justiça da Inglaterra e País de gales contra vários réus com destaque para cinco empresas do grupo Privinvest e seu patrono Iskandar Safa, falecido em Janeiro de 2024. Na altura a PGR celebrava o facto de o grupo Privinvest ter sido julgado culpado e condenado a pagar ao estado moçambicano aproximadamente US$ 1,9 mil milhões mais juros. Ainda não se falou mais nada deste dinheiro; o antigo Ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, antes de ser demitido prometeu falar dos encaixes e destinos previsto.





