Agências internacionais especializadas referem que mais de 542.000 pessoas deslocadas internamente na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, enfrentam condições humanitárias terríveis devido aos ataques terroristas que se registam desde 2017.
De acordo com o relatório do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), muitos deslocados internos têm acesso limitado a alimentos, abrigo, água, saneamento, saúde e educação. Além disso, têm dificuldades em encontrar trabalho e correm um maior risco de contrair surtos de doenças e violência baseada no género. Cerca de 55% destas pessoas são acolhidas por populações locais, enquanto as restantes vivem em 190 campos de deslocados.
Em Pemba, onde vivem cerca de 132.000 deslocados internos, o número de jovens desempregados e de mendigos está a aumentar. As mulheres e as raparigas estão envolvidas no trabalho sexual, frequente em campos de deslocados.
Em Maio, combatentes do al-Shabaab, alguns com apenas 13 anos, invadiram Macomia, onde se encontra a terceira maior população de deslocados internos de Cabo Delgado. Roubaram alimentos de várias lojas e armazéns de grupos humanitários e transportaram-nos em 15 veículos.
Uma testemunha, Abu Rachide, disse à Human Rights Watch que os combatentes disseram aos residentes para não terem medo, pois “tinham vindo apenas pela comida.”





