Na sua recente passagem por Portugal entre outras actividades da sua agenda política, o candidato presidencial da Coligação Aliança Democrática, Venâncio Mondlane, teve um encontro com o vice-presidente da Assembleia da República e dirigente do partido de extrema-direita CHEGA, Diogo Amorim. Este encontro mereceu duras críticas do economista e professor universitário, Carlos Nuno Castelo-Branco, que recorrer as redes sociais para tornar pública a sua posição. No texto publicado na sua conta da rede social Facebook, Carlos Nuno Castelo-Branco escreveu: “ O Chega é um partido fascista, racista, xenófobo, homofóbico, demagógico. Se a sua vontade mandasse na história, Moçambique ainda seria colónia portuguesa”. O economista moçambicano também lembrou no seu texto que, “… o Chega foi o único partido que exigiu que os agora países independentes pedissem desculpas e compensassem Portugal pelas guerras de libertação nacional”. Este pedido do partido liderado por André Ventura ocorreu por ocasião das comemorações do 50º aniversário do 25 de Abril de 1974 derrube do fascismo português”. Sobre o Diogo Amorim, o dirigente do Chega com quem Venâncio Mondlane encontrou-se, Carlos Nuno Castelo-Branco, descreve-o como “ um velho fascista português que logo após o 25 de Abril de 1974 fugiu para a Espanha Franquista, onde se aliou aos generais fascistas Spínola e Arriaga e levou a cabo uma série de atentados bombistas em Portugal contra sedes de sindicatos de partidos e movimentos da esquerda e do centro-esquerda”. E por tudo isto, o economista questiona: “ E é com esta escumalha que VM( Venâncio Mondlane) diz partilhar valores de patriotismo e cívicos. Que valores patrióticos e cívicos são esses? Do racismo, da xenofobia, da homofobia, da descriminação e da segregação, da mentalidade de império colonial (falhado?)”. Para Carlos Nuno Castelo Branco, “ este encontro, e as palavras de VM, destruíram as últimas ilusões de integridade, credibilidade, honra e auto estima que VM e CAD ainda tentavam cultivar”. O texto de Carlos Nuno Castelo-Branco termina com uma questão. “ Estará na hora de seriamente questionar quem financia e com que objectivos, o VM e a CAD?”
CAD e Chega com mesma ideologia?
O texto do economista Carlos Nuno Castelo-Branco pode ser o ponto de partida para um debate muito mais abrangente sobre o posicionamento ideológico de Venâncio Mondlane e também da CAD. Em Portugal, Venâncio Mondlane só teve um encontro com uma formação política que foi precisamente com o Chega que é a terceira força política no Parlamento português e um partido da extrema-direita. Isto sem mencionar o encontro que Venâncio Mondlane teve com o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa. Contudo, pouco do encontro com o dirigente do Chega, Venâncio Mondlane fez saber através das redes sociais que: “ foi um encontro que não visava o tipo de ideologia que tínhamos em comum, mas sim encontrar pontos de intersecção mútua para os próximos tempos”. E disse mais: “ a decepção do partido Chega foi positiva apesar das diferenças iniciais em valores e ideologias. Durante a reunião, essas diferenças foram resolvidas, permitindo um diálogo produtivo e construtivo”. Sobre o encontro entre Venâncio Mondlane e Diogo Amorim, o economista e professor universitário, também disse. “ As alegadas manipulações antidemocráticas da CNE contra a CAD nunca poderão justificar alianças com partidos fascistas”. (CF)





