Exposição Fotográfica no CCFM: “ Manas” a Maneira Moçambicana de Dizer Transgénero

A fotógrafa dinamarquesa Ditte Haarlov Johnsen expõe no Centro Cultural Franco- Moçambicano a exposição fotográfica “ Manas 2000-2024”. Esta exposição é um revisita ou um reencontro.

Esta ideia pode ser explicada pelo facto de, em 2003 uma primeira exposição com o título “Manas” da mesma fotógrafa ter sido exposta na Associação Moçambicana de Fotografia.

Mas afinal que são as “ Manas”? Conta Ditte Johnsen que, “ no ano 2000 cruzou-se com Ingrácia e Antonieta que sendo transgénero atreviam-se a mostrar isso”. Foi com elas que ficou a saber que elas audenominavam-se de “ Manas”, talvez o equivalente moçambicano para transgénero.

A fotógrafa estabeleceu contacto com elas e a partir delas entrou no seu mundo onde conheceu outras figuras e as fotografou. Acima de tudo, conheceu as suas lutas face a estigmatização mas também a sua teimosia em sobreviver num mundo hostil.

Em 2003 a exposição foi exibida como já referimos. A exposição foi um verdadeiro choque em Maputo. Nunca coisa igual tinha sido feita. Mas também funcionou com catarse. Em 2006 a Lambda, associação de defesa da comunidade LGBT em Moçambique, foi criada. O director da Lambda disse o seguinte a fotógrafa: “ Ditte, foi a tua exposição que começou com tudo isto. Quando vi a tua exposição ainda estava no armário”.

“ Manas” são o retrato de quem todos os dia luta para ser aceite e ou talvez tolerada. Na vida de muitas “Manas” tolerância é uma palavra cara. A intolerância para com elas por vezes, escreve-se com sangue. A quem acaba assassinada simplesmente por ser “Mana”.

A exposição está patente no Centro Cultural Franco Moçambicano até ao dia 7 de Agosto.

 

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