Esperança Bias Desafia UEM a Promover Cursos de Curta Duração em Gestão Financeira

A Presidente da Assembleia República (PAR), Esperança Laurinda Francisco Nhiuane Bias, desafia a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) a introduzir cursos de curta duração em matéria de gestão económico-financeira das micro, pequenas e médias empresas para permitir que os gestores e comerciantes possam aperfeiçoar os seus conhecimentos nestas áreas.

Falando, quinta-feira finda, dia 27, na Faculdade de Economia da UEM, em Maputo, durante as celebrações dos 10 anos da Comunidade de Alumni daquele estabelecimento de ensino, Bias acrescentou que a iniciativa poderá servir de refrescamento dos economistas, entre outros actores, bem como servir de janela de oportunidades para os demais.

Na ocasião, ela desafiou ainda às faculdades de economia, de engenharia e as demais a continuarem a adaptar-se às novas exigências do mercado e, para além dos aspectos teóricos, que são sempre importantes na academia, devendo, igualmente, explorar a componente prática do saber fazer e promover o espírito inovador.

“Devem apostar também na promoção do uso das Tecnologias de Comunicação e Informação (TIC,s), no processo de ensino e aprendizagem, pois estamos hoje no mundo digital e da inteligência artificial”, destacou Bias, acrescentando que “o desafio da formação com qualidade impõe-se mais do que nunca às universidades e as politécnicas do nosso país”.

Debruçando-se sobre o tema, “Um olhar sobre Economia, Instituição e Sociedade Moçambicana”, a PAR disse que depois da Independência Nacional, Moçambique enfrentou uma guerra de destabilização que durou 16 anos, tendo provocado enormes prejuízos à sociedade e a economia.

Bias explicou que para se ultrapassar os problemas daquela época, teve que se definir, na Constituição da República, prioridades nacionais, tendo a agricultura como base do desenvolvimento e a indústria como factor dinamizador, numa altura em que no País ainda não se tinha o sector agrícola estruturado.

“Tivemos que começar de zero”, disse Bias, sublinhando que “configurou-se e ensaiou-se, pela primeira vez, um modelo institucional integrado para o desenvolvimento do sector da agricultura em todo o território nacional”.

A PAR acrescentou que Moçambique começou a apostar na criação de cooperativas agrícolas, com vista a garantir o aumento da produção, produtividade, rendimento para os agricultores, venda de excedentes ao Estado e no mercado local.

“As cooperativas são ainda válidas para os desafios de hoje. Devemos continuar a promover e a incentivar o movimento cooperativo no nosso país para ajudar a resolver problemas como o da habitação social, dinamização do negócio a nível local e micro crédito, entre outros”, vincou Bias.

De acordo com a PAR, na altura o objectivo era desenvolver a agricultura e proporcionar nas zonas rurais melhores condições para os agricultores, criar cooperativas de habitação inseridas num projecto de desenvolvimento das chamadas “Aldeias Comunais”, um espaço ordenado com infra-estruturas básicas e serviços públicos de apoio, incluindo escolas, centros de saúde e espaços desportivos e de lazer, entre outros.

“Temos que continuar a potenciar os nossos agricultores, capacitando-os tecnicamente de forma directa ou via extensionistas, com vista ao aumento da produção e produtividade agrícolas, bem como ligá-los ao mercado”, disse, sublinhando que “acreditamos que é preciso continuar a melhorar as formas de financiamento à agricultura”.

Na óptica da PAR, a universidade é também chamada a promover e divulgar estudos científicos, propondo modelos de financiamento de projectos futuros de criação de resiliência, buscando experiências em outras geografias que enfrentam problemas de vulnerabilidade semelhante aos Moçambique.

Num outro desenvolvimento, Bias disse que a Industrialização do país é uma condição sine quan non para o crescimento sustentável da economia nacional, sendo um salto inevitável para que Moçambique evolua para o estatuto de país de rendimento intermédio.

“O atingir de um patamar mais elevado da nossa economia será também função da dinâmica do processo de industrialização, criando uma rede de micro, pequenas e médias empresas dedicadas à transformação da matéria-prima nacional”, frisou a PAR, para quem a industrialização contribui para adição de valor, permitindo o alavancar do crescimento da economia, para além de promover mais oportunidade de emprego.

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