Relatório Revela Problemas na Gestão de Rogério Zandamela no Banco de Moçambique

O Banco de Moçambique acaba de divulgar o seu relatório anual referente ao exercício financeiro do ano de 2023 findo. Este pode ser o segundo relatório anual que o BM publica desde que Rogério Zandamela, o actual Governador, chegou ao banco nacional em 2016.

Essencialmente o documento revela problemas sérios de gestão das contas do banco nacional moçambicano, mas representa igualmente algum crescimento e capacidade dos gestores do Banco de Moçambique de fazer frente a real situação financeira da instituição.

O documento foi produzido pela firma de auditores BDO. Apesar de revelar problemas na gestão do banco, trata-se de um documento rico de informação sobre a situação económica e financeira não apenas do BM mas também de Moçambique no geral.

A BDO, representada pelo humanamente cínico auditor Abdul Satar Hamid apresenta uma opinião com reserva na sua auditoria as demonstrações financeira do BM.

De acordo com o documento, embora o artigo 14 da lei 01/92 de 03 de Janeiro (lei orgânica) defina que os saldos devedores das flutuações cambiais devem ser reconhecidos pelo estado moçambicano, que por sua vez deve emitir títulos de divida pública a favor do banco a BDO constatou que o estado moçambicano não assumiu as suas responsabilidades desde 2005, no montante acumulado aproximado de 98 817051 milhares de meticais.

O relatório refere que nem o banco reconheceu os proveitos acumulados associados a esta dívida do estado no montante aproximado de 26 777 137 milhares de meticais. Esta situação, aliada ao facto de aplicação da contabilidade não permitiu aos auditores a validação do saldo desta rubrica, bem como no facto de o estado moçambicano não ter confirmado os juros dos empréstimos concedidos no montante aproximado de 34 044 031 milhares de meticais não nos permite assegurar a totalidade e exactidão destas rubricas nem confirmar a recuperabilidade das mesmas.

Em 2021, na sequência da apreciação do metical e de modo a manter os resultados médios das transacções dos exercícios anteriores, em dólares e euros, o Banco efectuou um ajustamento nos custos médios ponderados líquidos das reservas em moeda estrangeira, no montante aproximado de 20 154 116 milhares de meticais por contrapartida da rubrica de flutuações de valores. Adicionalmente, em 2022, em resultado de uma reconciliação na aplicação que gere as reservas em moeda estrangeira, apurou-se uma diferença no montante aproximado de 5 547 504 milhares de meticais, que afectou favoravelmente a rubrica resultados de operações de moeda estrangeira. Uma vez que ambas as transacções não foram revertidas em 2023, a rubrica de flutuações de valores, bem como a de resultados transitados encontram-se sobreavaliadas em aproximadamente 25 701 620 milhares de meticais.

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