‘O Caminho Para a Paz é Complexo, Longo e Cheio de Desafios’ – Hermenegildo Mulhovo IMD

O Director Executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária, IMD, considera que cerca de 32 anos depois da assinatura do Acordo Geral de Paz que pôs fim a Guerra Civil de 16 anos no país, os moçambicanos aprenderam que o caminho para a paz é complexo, longo e cheio de desafios.

Falando na abertura da conferência internacional com o tema “Reintegração Pós-Conflito em Moçambique: Lições, Desafios e Caminhos para o Futuro” Hermenegildo Mulhovo refere que  o diálogo, o compromisso das lideranças e inclusão constituem elementos determinantes para o alcance e manutenção da Paz.

Para Mulhovo, o actual acordo de Maputo de 2019 e os progressos alcançados no actual processo de DDR são, em grande parte, resultado, do diálogo e compromisso demonstrado ao nível das lideranças políticas.

O director do IMD diz refere-se a importância do Dialogo conduzido pelo Chefe de Estado e pelas lideranças políticas da Renamo (Afonso Dlakama e Ossufo Momade), como o elemento determinante para o alcance do acordo de Paz em Moçambique.

“Não me quero também esquecer do papel desempenhado pela comunidade internacional, em especial através do apoio prestado pelo Secretariado para o Processo de Paz, liderado pelo Enviado Pessoal do Secretário-Geral da ONU, Mirko Manzoni, e da Conselheira Sénior do processo, Neha Sanghrajka” explicou.

De acordo com o Hermenegildo Mulhovo, apesar de a implementação do acordo de Maputo estar exposto a vários desafios, é importante reconhecer que o Processo de DDR, registou grandes avanços sobretudo com a finalização do processo de Desmilitarização e Desmobilização em 2023 marcada pela desactivação das bases militares da Renamo e entrega das últimas armas.

A fonte lembra que no processo DDR, um total de 5221 ex-guerrilheiros regressaram as comunidades para iniciar uma vida civil junto as suas famílias e o facto marca o início de uma nova vaga de reintegração dos ex-guerrilheiros nas comunidades, que é em si um grande desafio não só para os ex-combatentes e outros grupos associados sobretudo para as comunidades receptoras.

Pensões Para os Antigos Guerrilheiros da Renamo Uma Grande Conquista

Para o Director do IMD, apesar do recente acordo de atribuição de pensões aos ex-guerrilheiros ser uma grande conquista no processo de reintegração dos combatentes, há que reconhecer que há ainda vários desafios para a sustentabilidade da reintegração.

Mulhovo defende que é necessário que este processo seja integrado e o mais inclusivo possível, cobrindo outros seguimentos afectados, para além dos combatentes, sobretudo nas comunidades receptoras.

“Estamos aqui a falar de grupos de Mulheres, crianças, deslocados retornados, vitimas que até agora tem sido as faces menos visíveis no processo de DDR em Moçambique. Por outro lado, é preciso encarar a reintegração como ferramenta de apoio à reconstrução das zonas afectas devendo assim ser parte dos planos de desenvolvimento local. Mais importante ainda, é preciso encarar a Reintegração como uma ferramenta importante para a reconciliação e transição para a paz efectiva” argumentou.

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