Cerca de 342 milhões de pessoas no continente africano sofrem de insegurança alimentar grave, o que representa um terço da população mundial em situação de insegurança alimentar grave.
Um quinto da população africana (278 Milhões) é desnutrida e 55 milhões de crianças menores de 5 anos são cronicamente desnutridas.
Aproximadamente 148.1 milhões de menores de 5 anos são afectados pela desnutrição crónica a nível global.
A World Vision Internacional lançou esta Quarta-feira (21 de Fevereiro) a sua campanha ENOUGH (JÁ CHEGA) para acabar com a fome no continente e vai alocar 1,7 mil milhões de dólares para fazer face à escalada da crise da fome.
A organização humanitária centrada na criança afirmou que o investimento da campanha de 3 anos irá melhorar o estado nutricional das crianças que vivem nas comunidades mais vulneráveis em 27 países do continente, através da promoção de intervenções nutricionais para reduzir a fome entre as populações mais afectadas.
A campanha para acabar com a fome e a malnutrição infantil foi lançada à margem da 37ª Cimeira da União Africana em Adis Abeba, na Etiópia.
“Gostaríamos que as famílias pudessem alimentar-se a si próprias”, Delali, (menor).
“Já estou farta da fome e da malnutrição”, Emmanuella, (menor).
As citações acima referidas reflectem o que milhões de crianças em África têm de enfrentar diariamente, enquanto as famílias vulneráveis de todo o continente lutam para pôr comida na mesa para os seus filhos, a fim de satisfazer o seu direito à alimentação e a uma nutrição adequada.
A campanha ENOUGH (JÁ CHEGA) faz parte de uma iniciativa global da World Vision ligada ao Objectivo de Desenvolvimento Sustentável (Fome Zero). Inclui também um esforço para melhorar os sistemas de recolha de dados a nível nacional e global, para que as crianças possam ser apoiadas e as suas vozes sejam ouvidas na definição de políticas e resultados fundamentais.
A campanha é uma resposta aos desafios provocados pelas mudanças climáticas, pelos conflitos e pelo custo dos alimentos, que estão a aumentar o número de crianças que precisam de ajuda.
“Estamos profundamente preocupados com os efeitos devastadores do agravamento da crise humanitária no continente, que está a deixar milhões de pessoas a necessitar de ajuda. As crianças suportam o peso da crise alimentar e sofrem de fome e malnutrição graves, uma condição que continua a comprometer a sua capacidade de sobreviver, prosperar e atingir o seu pleno potencial”, afirmou Lillian Dodzo, Directora Regional da World Vision para a África Oriental.
As exigências globais de financiamento humanitário significam que as crises na África Oriental, Ocidental e Austral têm pouca atenção internacional, apesar das necessidades urgentes, crescentes e potencialmente fatais. Em resposta a desastres, conflitos e fomes, com o apoio de doadores generosos, a World Vision tem trabalhado para prevenir a fome e a malnutrição entre as crianças em África e no mundo durante décadas.
Os relatórios da ONU indicam igualmente que, em muitos países africanos, a segurança alimentar não é um problema exclusivamente rural. De acordo com o PMA, estima-se que, em 2020, 68,1 milhões de mulheres, homens e crianças da população urbana estavam em risco de insegurança alimentar aguda na África Subsariana.
Além disso, mais de 1000 milhões de pessoas em todo o continente africano não conseguem ter acesso a uma alimentação saudável e cerca de 30% das crianças sofrem de desnutrição crónica devido à malnutrição. É agora mais claro que o ciclo da pobreza em África pode ser quebrado através do aumento do investimento e dos compromissos dos governos nacionais e de outros parceiros de desenvolvimento em intervenções no domínio da nutrição.
O lançamento em África faz parte da campanha global da World Vision, que visa acabar com a fome infantil e melhorar o estado nutricional das crianças através da promoção de acções colectivas a todos os níveis. A campanha baseia-se no princípio de que o direito das crianças a uma alimentação adequada deve ser respeitado, protegido e cumprido e que nenhuma criança deve ir para a cama com fome.
Já tivemos o suficiente, mas acreditamos que há o suficiente para cada criança.





