Assinalando 20 anos de criação artística de Victor Hugo Pontes, Bantu rasura a distância entre dois continentes e entre linguagens distintas, arriscando a invenção de um lugar partilhado e de uma língua celebrativa comum. Sobe ao palco do Teatro Nacional São João, entre 5 e 8 de Outubro. Bantu designa uma família de línguas faladas na África subsariana, o que significa que Bantu representa muito mais do que uma ocorrência linguística. Pode ser também uma linguagem própria que sobreviveu às línguas europeias impostas; um mecanismo identitário; um signo vedado ao colonizador; uma forma de comunicação, com códigos culturais, históricos, religiosos e políticos próprios; e, sobretudo, a materialização efémera de um longo encontro. Bantu, o título, acolhe tudo o que queremos ou imaginamos que Bantu, o espectáculo, seja. Se da língua que falamos vemos o mundo que nos cabe, das diferentes geografias que ocupamos – num país ou num palco –, temos diferentes perspectivas do mesmo mundo – assim, nunca poderemos falar a mesma língua, ver as mesmas coisas, ou chegar aos mesmos lugares. Em Bantu, Victor Hugo Pontes percorre o caminho oposto e vai ao encontro de uma língua despida de palavras, mas universal. Bantu é um caminho por traçar, e o percurso será feito entre Moçambique e Portugal, dois países com afinidades complexas e memórias profundas um do outro.





