Em 2022, o Instituto Nacional de Estatística (INE) realizou, em parceria com Estatísticas da Noruega (SSB), entre Abril e Junho, um inquérito por amostragem, com objectivo de documentar sobre o impacto, actividade económica e bem-estar humano dos agregados familiares (AF) e das comunidades que têm acesso às fontes de energia modernas.
No que se refere ao acesso e ligação à electricidade, 50,1% de agregados familiares tem acesso, sendo 32,0% através da rede eléctrica e 18,1% através de outras fontes. Isso significa que 49,9% do agregado familiar está sem conexão a rede nem outras soluções de electricidade, situação mais grave nas áreas rurais (86,8%), províncias de Tete (84,7%) e na Zambézia (83,3%). Os poucos domicílios com electricidade na área rural têm maior acesso através de energia solar (85,3%), baterias recarregáveis (74,9%) e baterias de células secas (71,4%) face a área urbana que usa electricidade da rede nacional (72,2%) e gerador eléctrico (58,3%).
Cerca de 73% de agregado familiar carrega o telefone celular na sua própria casa, da qual a Cidade de Maputo apresenta maior percentagem (95,9%).
Para dimensão de capacidade, ressalta-se que 56,9% dos agregados familiares usa electricidade com menos de 3W por dia ou menos de 12Wh, ou não tem acesso à electricidade, principalmente em Tete (78,0%), Cabo Delgado (76,0%), Zambézia (67,8%), Nampula (67,0%) e Niassa (65,6%) contra 34,0% de AF com consumo diário de 8,2 kWh, sobretudo na Cidade de Maputo (97,8%) e nas províncias de Maputo (72,6%) e Gaza (59,1%).
Para disponibilidade, 93,6% dos consumidores tem disponibilidade de energia eléctrica por, pelo menos, 23 horas por dia.
Para a qualidade, 78,6% de consumidores não presenciou problemas de interrupções que danificassem electrodomésticos. No entanto, 21,4% de consumidores registou interrupções de corrente que danificaram electrodomésticos, com destaque na área urbana (24,3%), na Cidade de Maputo (39,6%), nas províncias de Sofala (27,4%), Maputo (26,5%) e Zambézia (22,0%).
Para fiabilidade da energia fornecida, 65,9% dos consumidores tem mais de catorze cortes de energia por semana, destacando-se as províncias de Manica, Inhambane e Cidade de Maputo com mais de 80% de agregado familiar nessa situação.
Em termos de acessibilidade, 50,5% de consumidores gasta mais de 5% do rendimento anual com electricidade.
Quanto à legalidade, quase todos consumidores pagam ao fornecedor de electricidade (96,7%). Todavia, as províncias da Zambézia (15,6%) e Niassa (13,9%) registam maior percentagem de consumidores que não pagam o consumo da electricidade.
Para segurança e saúde, quase todos os consumidores de electricidade (99,0%) nunca sofreram qualquer acidente relacionado com instalação, ligação, manutenção e reparações eléctricas. Porém, 2,6% de consumidores de Cabo Delgado e 2,2% de Gaza sofreram algum dano grave ou fatal resultante de intervenções eléctricas inseguras.
No que se refere ao acesso global ao combustível e tecnologias de energias limpas, 40,3% de AF tem acesso a energia sustentável, com maior déficit para área rural (24,8%) contra área urbana (72,7%).





