O director distrital do STAE de Quelimane tinha um acordo secreto com um dos seus adjuntos para lhe atribuir 32 vagas a preencher com brigadistas provenientes da Renamo. Mas, o acordo falhou porque quatro dias após o início do recenseamento eleitoral, o chefe da Repartição de Organização e Operações Eleitorais decidiu transferir alguns brigadistas da Renamo para outras brigadas de recenseamento. A decisão não agradou ao director adjunto do STAE, que “tinha o seu pessoal, incluindo sua esposa (alocada na EPC 17 de Setembro como supervisora) nessas brigadas”.
Segundo o CIP, o chefe de Repartição de Organização e Operações Eleitorais (ROOE), Vitorino Azevedo, justificou a mudança de brigadistas com o argumento de que tinha feito um breve estudo que partilhara apenas com o director distrital, Assane Ussene, excluindo os chefes adjuntos da ROOE em representação da Frelimo, Renamo e do MDM, lê-se no relatório da Comissão Multissectorial da Província da Zambézia. Na verdade, o chefe da ROOE estava a cumprir uma orientação do director Assane Ussene.
Achando-se traído pela decisão do director distrital do STAE, sem o seu consentimento, Maia Madeira Maia decidiu bloquear a transferência dos brigadistas alegando que estava “inquinada de vício de forma por não ter sido objecto de discussão na ROOE”, antes de ser submetido ao colectivo da direcção para a decisão.
Por seu turno, o director distrital do STAE, vendo a sua autoridade a ser posta em causa pelo seu adjunto, decidiu ir ao terreno operacionalizar a decisão, demitindo os brigadistas visados. Nessa altura, o director adjunto, em retaliação, filmou o momento em que o seu director demitia os brigadistas da zona de influência do seu partido para “servir de prova de actuação arbitrária do director distrital”.
À comissão de inquérito multissectorial, Maia Madeira Maia disse que o prenúncio das transferências tinha sido dado no dia 21 de Abril, justamente, um dia após o início do recenseamento eleitoral, quando recebeu do chefe da ROOE, Vitorino Azevedo, uma mensagem, às 5.30 horas, informando-o que seriam feitas movimentações de brigadistas para dar vazão à demanda pelos serviços. Em resposta, Maia Madeira Maia informou ao chefe da ROOE que tal decisão não seria possível sem que tenha suporte de um estudo prévio do desempenho dos brigadistas a serem movimentados, até porque só passava um dia após o início do recenseamento.
A verdade é que a decisão viria a ser operacionalizada no dia 24 de Abril. Passavam quatro dias do arranque do recenseamento. Por causa disso, a comissão multissectorial que levou a cabo o inquérito recomendou que se instaurasse processos disciplinares aos dois directores “por comprovada falta de transparência na selecção dos brigadistas”, o que afectou o recenseamento eleitoral.
A comissão multissectorial criada para investigar as causas do conflito concluiu que foi “a falta de transparência na selecção de brigadistas” que resultou na luta entre o director Assane Ussene (e seu adjunto, Maia Madeira Maia (proveniente da Renamo) pelo controlo de área de influência partidária, o que contribuiu “para o fraco desempenho no recenseamento de eleitores” em Quelimane.
Ambos enfrentam processos disciplinares “por comprovada falta de transparência na selecção de brigadistas”, o que afectou o “cumprimento das metas do recenseamento eleitoral”, revela o relatório da Comissão de Inquérito da província da Zambézia. Terão sido estas as razões que levaram o director distrital do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) de Quelimane a colocar o seu lugar à disposição.





