O Observatório Cidadão para Saúde refere que a Associação Médica de Moçambique (AMM) anunciou recentemente a retoma da greve dos Médicos, suspensa em Dezembro de 2022 para dar lugar a negociações com o Governo, através do Ministério da Saúde (MISAU). A greve, que consiste na paralisação de actividades em todas unidades sanitárias, entra em vigor a partir do dia 10 de Julho corrente, podendo ser prorrogada por 21 dias, abrangendo quase todos os serviços.
Desde a aprovação e implementação da Tabela Salarial Única (TSU) nos finais de 2022 – associada a outros factores, tais como exiguidade salarial, falta de material de trabalho e medicamentos para os utentes – as greves no sector da saúde têm sido habituais, manifestando-se de forma intermitente.
Associação Médica afirma que passados quatro meses após as últimas conversações, apenas 10% do acordado foi implementado pelo Governo. O não cumprimento de uma parte significativa dos acordos, de acordo com a classe, demonstra que o Governo não se mostra interessado em resolver as demais inquietações. Desta feita, explica AMM, os médicos são forçados, mais uma vez, a entrar em greve como forma de pressionar as autoridades para que providenciem respostas profícuas e imediatas.
“Neste contexto, a situação continua estagnada, não houve implementação da parte significativa dos acordos, o diálogo não tem produzido resultados tangíveis e a situação remuneratória dos médicos tende a deteriorar-se, de tal modo que muitos médicos trabalham sem salários, sem remuneração extraordinária, sem subsídios (turno, localização, diuturnidade, investigação, disponibilidade, entre outras)”, lê-se num comunicado tornado público pela AMM.





