Reunido em seminário de engajamento de intervenientes-chave no processo de ligação dos grupos de Poupança e Crédito Rotativo ao Sistema Financeiro Formal, o FARE, Fundo de Apoio à Reabilitação da Economia, diz que está a trabalhar afincadamente para que, a breve trecho, a meta de ligação de 3.300 grupos de PCR ao Sistema Financeiro Formal seja alcançada.
O projecto de engajamento está a ser implementado desde 2021.
O FARE reporta a existência de 6905 grupos de Poupança e Crédito Rotativo, envolvendo 225 mil membros, que movimentaram um valor acumulado de pouco mais de 850 milhões de Meticais.
Falando na sessão de abertura, o Domingos Lambo, Secretário Permanente do Ministério das Finanças, disse que 68,5 por cento da população adulta moçambicana tem uma conta de moeda electrónica aberta e o acesso aos serviços financeiros prestados por uma instituição bancária situa-se em cerca de 31 por cento, cifra que está abaixo da meta de 60 por cento estabelecida na Estratégia Nacional de Inclusão Financeira de 2016 a 2022.
Para Lambo, há uma notória proliferação de grupos de PCR em todo o país que, na sua maioria, enfrentam vários desafios cuja génese reside na falta de instrumentos que suportem a sua ligação à banca convencional.
Domingos Lambo Secretário Permanente do Ministério das Finanças, explicou que entre as dificuldades com que estes grupos se deparam também se destaca a insegurança na preservação dos valores poupados pois, em muitos casos, o dinheiro é guardado em sacos ou caixas metálicas ou de madeira sob a responsabilidade de um membro em situações e locais vulneráveis a roubos, queimadas, entre outros.
Para além disso, os grupos de PCR também lidam com o défice ou excesso de liquidez, os seus produtos e serviços financeiros são limitados, praticam altas taxas de juros que desestimulam o seu próprio desenvolvimento, faltam-lhes infra-estruturas financeiras e logísticas, e percorrem longas distâncias para encontrar um ponto de acesso à serviços financeiros.
Também lhes falta cobertura de rede de telefonia móvel e, por vezes, agentes de carteiras móveis ou de moeda electrónica à altura das suas necessidades.
Deste modo, há necessidade de o FARE buscar parcerias com os principais intervenientes no processo de ligação destes grupos ao Sistema Financeiro Formal que sejam capazes de prover os membros de documentos de identificação e outros requisitos necessários para a abertura de contas;
O secretário permanente considera que o FARE também é chamado a buscar consenso sobre os melhores modelos que possam se adaptar ao contexto político, económico, social, tecnológico moçambicano e ao ambiente, que possam levar estes grupos a se transformarem em Instituições Financeiras de Base Comunitária (IFBC) até à sua sustentabilidade.
Segundo disse, ae 2021 a Março de 2023, o FARE também enfrentou vários desafios que imperaram no alcance das metas, com destaque para a falta de instrumentos ou políticas que permitam a ligação dos grupos de PCR ao Sistema Financeiro Formal. A título de exemplo, dos 1.507 grupos sensibilizados pelo FARE apenas 392 grupos, representando 26 por cento, facto que deve merecer a nossa total atenção nos debates que aqui vão decorrer, e 12 porcento em relação aos 3300 grupos revistos como meta até ao final do projecto, explicou.
“É por esta razão que aqui estão reunidos administradores de alguns distritos-chaves, com ênfase para aqueles que tem potencial para a criação de Uniões de grupos de PCR, Banco Central, Facilitadores Comunitários, representantes da Direcção nacional de Registo e Notariado, Bancos Comerciais, empresas operadoras de telefonia móvel, instituições de Micro Finanças, provedores de serviços, entre outros que, directa ou indirectamente, contribuem para a inclusão financeira” disse.
Ele acrescentou que dos debates no seminário deverão surgir melhores ideias e linhas orientadoras para o rápido alcance dos objectivos da Componente-2 do Projecto de Financiamento de Empreendimentos Rurais (REFP) para que, a breve trecho, a meta de ligação de 3.300 grupos de PCR ao Sistema Financeiro Formal seja alcançada.





