CIP Denuncia Prostituição e Exploração Sexual de Mulheres Deslocadas em Cabo Delgado

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Integridade Pública, CIP, indica que um número considerável de mulheres e raparigas, que abandonou as suas zonas de origem devido aos ataques de insurgentes na província de Cabo Delgado, está a recorrer a venda de sexo como forma de sobrevivência.

Além disso, outras são aliciadas a manter relações sexuais em troca de alimentos e de outros meios de subsistência, um fenómeno que, apesar de denúncias da sociedade civil e de organizações internacionais, ainda persiste em vários centros de acomodação de deslocados. A exclusão de deslocados ao acesso à assistência alimentar, as dificuldades de integração económica nas zonas de acolhimento, aliada à escassez de meios para satisfazer as suas necessidades mais básicas, empurra as mulheres deslocadas para um submundo repleto de riscos: o do sexo pela sobrevivência.

A pesquisa de campo foi realizada em Outubro de 2022 e durou duas semanas. Abrangeu os distritos de Pemba, Metuge, Montepuez e Chiúre onde estão aproximadamente 50% dos deslocados internos da província. Para a colecta de dados foram entrevistadas, pelo menos, 20 mulheres e raparigas deslocadas internas seleccionadas com base na técnica de amostragem não probabilística “bola de neve”.

Desde o início da guerra em Cabo Delgado, as mulheres têm sido particularmente sujeitas a prostituição e à exploração sexual. Várias raparigas e mulheres raptadas por insurgentes durante as suas incursões no norte da província foram usadas como escravas sexuais e outras foram “vendidas” como prostituas no mercado global de tráfico de seres humanos.

O fenómeno da venda de sexo estende-se até aos centros de acomodação de deslocados, geralmente localizados fora dos centros urbanos. Em troca de valores monetários, que vão de 20 a 100 meticais, mulheres e raparigas deslocadas envolvem-se sexualmente com homens provenientes dos bairros ao redor e com outros deslocados.

O perfil das mulheres deslocadas que, para sobreviver, passaram a prostituir-se vai desde jovens adultas, na sua maioria viúvas cujos maridos morreram durante os ataques, ou mães separadas, dos 20 aos 40 anos, a jovens raparigas dos 15 aos 19 anos, que por conta do conflito foram forçadas a assumir, muito cedo, responsabilidades sobre si e sobre os seus parentes menores. As raparigas são geralmente as mais solicitadas, tanto nos centros de acomodação como nas zonas mais urbanas. O factor idade atrai jovens e adultos que vêm nelas uma fonte de prazer sexual.

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