Notícias sobre o processo de recenseamento eleitoral em cursos indicam que cerca de uma dezena de brigadistas foi flagrada, na noite de ontem, quinta-feira, (27/04), no armazém do STAE distrital de Guruè, na província da Zambézia, a imprimir clandestinamente cartões de eleitores.
O Centro de Integridade Pública diz que os seus correspondentes confirmaram a informação e vídeos foram gravados pelo segundo director-adjunto do STAE, que representa a Renamo, Domingos Baessa.
O artigo CIP refere que em Guruè, a partir das 12 horas, têm-se registado avarias das impressoras e os brigadistas pedem aos eleitores que continuem a recensear-se e que só levantarão os cartões no dia seguinte. Os supervisores levam as máquinas para o armazém do STAE e lá imprimem os cartões dos eleitores e por volta das 20 horas, um elemento da Renamo passou pelo STAE e encontrou a porta semi-aberta. De imediato comunicou ao segundo director-adjunto do STAE, em representação da Renamo, Domingos Baessa.
Sob orientação superior, Baessa foi ao armazém e encontrou uma equipa de brigadistas, liderada pelo primeiro vice-presidente da Comissão Distrital de Eleições, a imprimir cartões de eleitores à revelia dos directores-adjuntos e dos chefes das repartições do STAE. O que preocupa a Renamo é que a Repartição das Operações Eleitorais (ROE) do STAE não foi comunicada que à calada da noite haveria impressão de cartões de eleitores no seu armazém. Segundo Baessa, trata-se de um assunto que já se vinha sabendo, mas que era negado pela direcção do STAE. Quando foram questionados pelo comandante distrital da Polícia, Renato Luís Martinho, e pelo director distrital do SISE, os dirigentes dos órgãos de administração eleitoral local e os respectivos brigadistas responderam que os cartões que estavam a ser impressos eram de eleitores que se tinham recenseado durante o dia, mas que não tinham sido impressos devido à avaria das impressoras. As impressões de cartões iniciaram às 19 horas, três horas após o encerramento dos postos de recenseamento. Ninguém foi detido. Durante toda a manhã, o comandante distrital da Polícia, o director do SISE, o director distrital do STAE e os dois directores adjuntos, visitaram vários postos de recenseamento para auscultar aos fiscais se tinham ou não conhecimento de que havia pessoas a recensear-se no armazém do STAE. A ideia, segundo Baessa, é produzirem informação para o incriminar. “Eles querem-me incriminar porque me acusam de ter anunciado que no armazém havia eleitores à noite. Eu não disse isso. Disse que se estava a imprimir cartões. Não estão a procurar averiguar as irregularidades evidentes no vídeo. Estão apenas a procurar matérias para me incriminar”, denuncia Baessa.





