Os livros de poesia “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados e fragmentos do escuro”, dos escritores Francisco Guita Jr. e Jeremias F. Jeremias, respectivamente, serão apresentados no Camões – em Maputo, amanhã, dia 27 de Abril. As duas obras venceram o Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira 2022, iniciativa da Gala-Gala Edições.
O Prémio de Poesia Reinaldo Ferreira, em edição única, visava assinalar as comemorações do centenário do poeta Reinaldo Ferreira (1922-2022), que realizou toda a sua obra em Moçambique, e aqui morreu precocemente, vítima de um cancro pulmonar, aos 37 anos de idade, a 30 de Junho de 1959. O júri do prémio foi constituído, em duas etapas, pela bibliotecária Aissa Mithá, pelos escritores moçambicanos Adelino Timóteo e M. P. Bonde, pelo poeta e professor universitário brasileiro Ricardo Pedrosa Alves e também pelo professor e ensaísta moçambicano Cristóvão Seneta.
Sobre “Chãos e outras arritmias”, de Guita Jr., de acordo com o júri, a poesia é encantadora, que faz corpo com o chão, com a terra, carregada de sensualidade; é, também, uma poesia que engloba o cosmos, numa vertente suportada pelo amor mesmo quando se lhe denota um certo desencanto do sujeito poético em relação às questões existenciais. Uma poesia firme, madura, dissecada com rigor e com sinais de vir a sobreviver no tempo.
Em nota de prefácio, a professora brasileira Carmen Lucia Tindó Secco faz questão de assinalar que Guita Júnior, na esteira de Knopfli, Patraquim, Drummond de Andrade, Camões, é um grande poeta. “E é, também, não só um atento leitor da vida, da história, das solidões, da existência, do amor e da morte, mas dos silêncios e solitudes existentes nas entranhas líricas de sua obra poética”.
Por seu turno, para o júri, a obra “Rostos desabitados [e] os fragmentos do escuro”, de Jeremias F. Jeremias, é impecável. A construção de imagens é nítida e inédita e há equilíbrio no conjunto e na atenção à sequência dos poemas no livro. Jeremias trabalha sobre a percepção, explorando o poema como pensamento e não como mensagem. Há condensação, ritmo, respeito ao poema como ente “não-parafraseável” (Roubaud). “Rostos desabitados” é um trabalho criativo a partir de elementos mínimos, básicos, como água, luz, pássaro.
A sessão de apresentação de “Chãos e outras arritmias” e “Rostos desabitados” estará a cargo dos escritores Lucílio Manjate e M. P. Bonde.





