O Banco de Mocambique diz que as perspectivas de inflação apontam para um contínuo aumento, no curto prazo, e uma desaceleração, no médio prazo. Em Agosto, a inflação anual acelerou para 12,1%,após 11,8% em Julho, a reflectir, essencialmente, o aumento dos preços dos bens administrados, com destaque para os transportes semi-colectivos urbanos, pese embora a inflação subjacente se tenha mantido estável. Para o médio prazo, antevê-se o retorno da inflação para um dígito, a reflectir os efeitos dos aumentos da taxa MIMO e a contínua estabilidade do Metical, num contexto de incertezas quanto ao comportamento dos preços dos produtos energéticos e alimentares no mercado internacional.
De acordo com o comunicado do BM, os riscos e incertezas associados às projecções de inflação continuam elevados. A nível interno, prevalecem as incertezas em relação ao ajustamento dos preços dos bens administrados e o seu impacto sobre os preços de outros bens e serviços. A nível externo, mantêm-se as incertezas em relação à magnitude e persistência dos efeitos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
Por outro lado, mantêm-se as previsões de recuperação económica em 2022 e 2023, não obstante as perspectivas de abrandamento da procura externa. Estas previsões são sustentadas pela execução dos projectos energéticos em Inhambane e na bacia do Rovuma e pelo início da exportação do gás liquefeito, num contexto de implementação do programa com o Fundo Monetário Internacional e de retoma da ajuda externa de parceiros de cooperação.
A dívida pública interna aumentou. O endividamento público interno, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 263,1 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 44,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2021.
O CPMO continuará a monitorar a evolução dos riscos e incertezas associadas às projecções da inflação, e não hesitará em tomar as medidas correctivas necessárias.





