Se, por um lado, na província de Cabo Delgado, os insurgentes são acusados de cometerem atrocidades contra as populações, por outro, as FDS, Forças de Defesa e Segurança, também são acusadas de excessos na execução das suas tarefas.
Particularmente, as FDS foram acusadas de detenções arbitrárias, execuções sumárias, rapto e tortura da população civil, alegadamente por colaborarem com os terroristas.
O relatório sobre os direitos humanos da Ordem dos Advogados publicado em Maputo semana passada apresenta alguns exemplos de alegado excesso de uso da força pelas FDS.
Refere, por exemplo, que, em Abril de 2020, o jornalista e locutor da Rádio Comunitária de Palma, Ibraimo Abu Mbaruco foi apreendido pelas FDS, não se sabendo do seu paradeiro até ao presente momento.
Além disso, a Amnistia Internacional apresentou vídeos e fotos, que expunham “tentativas de decapitação, tortura e outros maus-tratos a detidos, o desmembramento de alegados combatentes da oposição, possíveis execuções extrajudiciais e o transporte de um grande número de cadáveres até valas comuns”, como actos praticados pelas FDS.
O documento da Ordem dos Advogados diz que os órgãos de fiscalização da legalidade devem investigar as denúncias sobre as atrocidades cometidas contra a população e os órgãos de administração da justiça devem responsabilizar criminalmente todos os indivíduos envolvidos em actos de terrorismo e outros actos relacionados com ataques armados, independentemente do facto de os seus agentes pertencerem a grupos de malfeitores ou às autoridades.
De acordo com o relatório, em 2020, o número de mortes causadas pelos insurgentes foi de 2 567 e em 2021 o número de mortes aumentou para 3 627.





