Trabalhadores Descontentes da Frelimo Acusam Roque Silva de ‘Tirano do Século’

Os trabalhadores do aparelho do Partido Frelimo ao nível nacional ausam o Secretário-geral, SG, da Frelimo, Roque Silva de práticas de actos ilegais e desumanos no exercício das suas funções de secretário-geral do partido no poder em Moçambique.

Em carta as fontes internas da estrutura frelimista em Maputo escrevem que, com a indicação de Roque Silva para secretário-geral do partido, os trabalhadores do aparelho daquela agremiação política, acreditavam que depois do humanismo deixado por Filipe Paúnde, após cessar como secretário-geral da Frelimo, as condições de trabalho seriam muito acima.

A carta dos trabalhadores diz que Roque Silva chegou e começou a escangalhar a organização da Frelimo. Prosseguiu com as reformas que deveriam ser um exercício normal, uma vez os visados terem atingido a idade da reforma. Contudo, foi um processo conturbado, cheio de irregularidades pois, há trabalhadores que foram reformados ainda faltando algum tempo e outros que deveriam ter reformado e que não o fizeram, continuando a trabalhar e a ocupar cargos de direção e chefia. “São trabalhadores que auferem da reforma e em simultâneo o salário do cargo de chefia”, acusam.

Alegadamente agastados com a gestão do actual secretário-geral da Frelimo, a massa laboral escreve ainda que, Roque Silva desmontou as brigadas centrais, onde mandou retirar todos os trabalhadores do aparelho do partido, alegando que estes não deveriam fazer parte das brigadas. “O déspota fragilizou o papel dos membros da Comissão Política que são chefes das brigadas centrais, qualquerizando-os, onde estes já não têm o papel de monitoria e assistência às províncias”, sentenciam.

Para os descontentes, os chefes das brigadas centrais foram transformados em capachos dos primeiros secretários provinciais, muitos sem direito a aconselhar as províncias, facto que é deveras caricato.

“Esquece ele que eram estes trabalhadores que asseguravam a tramitação dos relatórios das brigadas centrais, e demais instrumentos de funcionamento do Partido e, sendo trabalhadores do aparelho, o exercício da memória institucional estava acautelado e salvaguardado”, acusam para depois sustentar que, desde que Roque Silva ascendeu ao cargo de secretário geralda Frelimo, passam cerca de sete anos, senão mais que os trabalhadores do partido Frelimo não têm um aumento salarial.

“Antes a justificativa era que a bancada da Frelimo tinha menos assentos na Assembleia da República, contudo, após as eleições gerais de 2019, em que a bancada recuperou o número de assentos, em nada melhorou no orçamento do Partido. Há trabalhadores que licenciaram há mais de sete anos mas continuam a receber como assistentes, ao invés de verem regularizada a sua situação, que lhes permitirá ascender a uma categoria superior.”

Segundo escrevem os trabalhadores da Frelimo, são muitas as situações causadas pelo Roque Silva que fragilizam aquela organização partidária. “Trabalhamos sem nenhuma motivação, incentivo, senão um clima de medo. Contudo, é notório o uso de fundos da Frelimo para aquisições de casas, carros, bens para os familiares do secretário-geral. São despesas de seus próximos a serem suportados com fundos da Frelimo”.

As nossas fontes alegam que, é através da sua querida Sónia Macuvel, que se operacionaliza a ideia de escravidão aos trabalhadores, retirando-lhes o pequeno-almoço, onde tinham direito a um pão e uma chávena de chá e agora tudo fazem para retirar o almoço a trabalhadores que só têm hora de entrada e não de saída.

“Há uma tentativa de anular todas as conquistas do anterior Secretariado. Roque Silva não dialoga, apenas intimida os trabalhadores, humilha, e os persegue, como se fossem seus adversários. Que o digam os motoristas que sofrem nas mãos de Roque Silva e dos seus familiares, das humilhações, intimidações, represálias sem o mínimo de dignidade humana”.

Os trabalhadores afirmam que a ditadura é tanta que até parentes de Roque Silva conseguem ameaçar um trabalhador da Frelimo de expulsão como se fossem empregados privados de sua família, em uma clara demonstração de ditadura, despotismo, arrogância e prepotência.

“Sabemos e acompanhamos as viagens que efectua as províncias onde anda a comprar a consciência dos primeiros secretários provinciais e estes dos primeiros secretários distritais que exercem a tirania ao nível das províncias”, acusam os trabalhadores da Frelimo que acrescentam que Roque Silva determina e incita que os primeiros secretários provinciais a desviarem fundos do Estado para o benefício próprio.

“De um secretário-geral que se esperava apoiar o aparelho do partido, a desenvolver a sua sustentabilidade está mais para um déspota e tirano, que está a enriquecer a custa da Frelimo. Foi vice-Ministro e não conseguiu investir na sua vida, mas, logo que foi indicado secretário-geral construiu empreendimentos turísticos em Bilene e no Tofo, em tão pouco tempo e de forma duvidosa”.

Na carta, as fontes alegam ainda que, é com a ajuda da Sónia, secretaria para as Finanças, que foram pagas as despesas da cerimónia do matrimónio de Roque Silva e outros assuntos de índole meramente familiar. “É a Sónia que desvia os fundos que deveriam ajudar o partido Frelimo para os interesses pessoais de Roque Silva e companhia. O mandato vai terminar e o que fez Roque Silva para a Frelimo?”, questionam.

Os trabalhadores alegam ainda que, Roque Silva vive perseguindo todos os trabalhadores que não alinham com as suas chantagens. Criou um ambiente de desconfiança, de intriga, fofoca e calúnia. “Quis usar esta ditadura no seio das Organizações Sociais, só que com a OJM não conseguiu lograr seus intentos, de manipular, na tentativa de fazer passar seu candidato, alegando ser candidato do presidente do partido. Valeu a inteligência e prudência do presidente da Frelimo que impôs o limite de 30 anos de idade, arrumando a pretensão de alguns candidatos”.

Estamos a tentar contactar Roque Silva Para ouvir a sua versão dos factos. Ainda não foi por ele respondida a nossa solicitação, mas prometemos para partilhar com o nosso público as declarações do Secretário-geral da Frelimo.

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