Após dois anos difíceis caracterizados pelo impacto negativo da pandemia da Covid-19, o Standard Bank prevê uma ligeira recuperação do crescimento económico para um ritmo de 2.8% em 2022, após 2.2% em 2021, e uma contracção de 1.2% em 2020.
Estima-se que as intempéries, que assolaram o País desde o último trimestre de 2021, tenham desacelerado o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 3%, em termos homólogos, no primeiro trimestre deste ano, de um crescimento de 3.3%, no último trimestre do ano passado.
O crescimento previsto está, em parte, associado ao alívio das restrições relacionadas com a Covid-19, segundo as projecções apresentadas pelo Standard Bank, no decurso do Economic Briefing, ocorrido quinta-feira, 5 de Maio, em Maputo.
Por outro lado, o País elegeu implementar um conjunto de reformas estruturais para melhorar a governação, apoiar o combate à corrupção e a luta contra o terrorismo, melhorar a gestão das finanças públicas e do sector empresarial do Estado e criar maior resiliência contra os choques naturais.
Para tal, o Governo conta com o apoio de um programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), associado a um pacote de financiamento de cerca de 470 milhões de dólares, que deverá ser aprovado pelo Board desta instituição nos próximos dias.
Com o programa do FMI, espera-se, igualmente, o aumento do apoio externo pelos parceiros de cooperação, o que deverá contribuir para a melhoria das disponibilidades de financiamento à economia.
As projecções de crescimento de médio e longo prazo da responsabilidade do Standard Bank apontam para um crescimento médio do PIB de 3.7% ao ano, entre 2022 e 2025.
O Banco considera, para este período, o impacto positivo do arranque da produção de Gás Natural Liquefeito (GNL) a partir do segundo semestre de 2022, pelo projecto Coral Sul, liderado pela ENI, com capacidade para 3.4 milhões de toneladas métricas por ano (mta) só na área – 4 da bacia do Rovuma.
Prevê-se ainda, no segundo semestre de 2022, que a contínua melhoria da situação de segurança no norte de Moçambique, permita à Total Energies, retomar a construção, no âmbito do seu projecto de GNL, com exportações anuais de 13 mta (área 1) a partir de 2026.
Muito provavelmente, considera o Standard Bank, estas projecções poderão ser revistas para cima, assim que a Decisão Final de Investimento (DFI) para o projecto GNL liderado pela Exxon-Mobil (acima de 17 mtpa – área 4) seja tomada.
Não obstante as perspectivas de crescimento da economia, o banco apresenta reservas em relação ao impacto da invasão da Rússia à Ucrânia.
Neste contexto, espera que a gestão prudente dos riscos macroeconómicos continue a traduzir-se numa política monetária restritiva e na prudência fiscal, para assegurar que a inflação se mantenha a um dígito.





