O Regresso (In)seguro De Dois Pequenos Rinocerontes Para Moçambique

Os governos de Moçambique e da África do Sul anunciaram semana passada a reintrodução planeada de rinocerontes no Parque Nacional do Zinave em 2022, depois de extinto há mais de 40 anos.O Zinave é administrado em co-gestão pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e pela Peace Parks Foundation, e se tornará o primeiro parque nacional do país a abrigar os “Big Five”.Dados oficiais indicam que as populações de rinocerontes decresceram em todos os nove estados africanos com populações remanescentes de rinocerontes desde 2008, com mais de 8 000 animais mortos por causa dos cornos, somente na África do Sul. Os cornos são valorizados por propriedades medicinais míticas e como símbolo de status em alguns países asiáticos.  Em 2002, os governos de Moçambique, África do Sul e Zimbábwe firmaram um Tratado para estabelecer a Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, abrangendo mais de 100.000 km² e incorporando cinco parques nacionais, nomeadamente, Banhine, Limpopo e Zinave em Moçambique, Kruger na África do Sul e Gonarezhou no Zimbábwe. Vinte anos depois os desafios da recuperação e restauração da paisagem de conservação transfronteiriça através da introdução dessas espécies-chave continuam. Em 2016, após a assinatura de um acordo de co-gestão de longo prazo entre a ANAC e a Peace Parks, iniciou no Zinave um programa intensivo de repovoamento, com mais de 2.300 animais, representando 14 espécies diferentes reintroduzidas no parque até o momento. Isso incluiu a reintrodução de búfalos, elefantes e leopardos. Em Setembro de 2021, os primeiros leões também foram registados no parque após mais de 40 anos de ausência. Os Governos de Moçambique e da África do Sul aprovaram a reintrodução de aproximadamente 40 rinocerontes brancos e pretos num santuário de alta segurança de 186 km² especialmente construído no interior dos 4 000 km² do Parque Nacional do Zinave. Os rinocerontes foram doados pela Exxaro Resources – um doador e patrocinador da conservação e membro do Club 21 da Peace Parks Foundation. Sobre as questões de segurança dos animais fala-se da erradicação das evasões e que as capacidades de combate à caça furtiva no santuário de Zinave foram fortalecidas de forma que as espécies fundamentais e de alto valor de conservação sejam bem protegidas.

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