“Os que Dispararam 25 Balas Contra Elvino Dias Continuam Livres Enquanto os Que Exigiram Justiça são Processados”

Celebra-se esta segunda-feira, 19 de Outubro, o segundo ano do desde que o advogado e politico Elvino Dias foi cravado de balas na ruas de Maputo.

Quando falta pouco menos de um mês para o seu julgamento, e para assinalar a data, Venâncio “Mondlane escreve uma mensagem contundente contra os assassinos e a impunidade no país.

Moçambicanas, Moçambicanos, amigos de Moçambique e da democracia em todo o mundo”, – escreve o político, “Hoje, 19 de Outubro de 2026, assinalam-se dois anos, desde que a nossa nação foi abalada por um acto de barbárie indescritível”.

Venâncio Mondlane recorda na sua mensagem que foi na noite de 18 de Outubro de 2024, que Elvino Dias, “o Advogado do Povo”, e Paulo Guambe, “nossos irmãos e colegas”, foram assassinados ao sangue frio. O corpo de Elvino foi crivado com 25 balas.

 

Vinte e cinco balas disparadas para silenciar a lei e para silenciar o voto

“Vinte e cinco balas disparadas para silenciar a lei, para silenciar o voto, para silenciar a verdade” insiste na sua mensagem o presidente do Anamola para depois acrescentar: “Falo-vos hoje não apenas como dirigente político, mas como amigo que os conheceu e como moçambicano que carrega esta ferida. Às suas famílias: não há palavras que possam reparar o que vos foi tirado. Perderam um marido, um pai, um filho, um pilar da vossa casa. Há dois anos que esperam por uma justiça que não chega, convivendo todos os dias com a crueldade de como eles foram levados. A vossa dor é a dor da nação. Honramos a vossa dignidade e devemos-vos justiça”.

 

As 25 Balas Foram disparadas contra cada cidadão que acredita que as eleições devem ser livres e justas

Na sua mensagem dos dois anos sobre o assassinato de Alvino Dias e Paulo Gambe, o presidente do Anamola dirige-se igualmente para o povo moçambicano, a comunidade internacional e especificamente para a letargia do sector da justiça na investigação e esclarecimento do caso.

A seguir transcrevemos a mensagem na íntegra

“À Moçambique: Aquelas 25 balas não foram disparadas apenas contra o Elvino. Foram disparadas contra cada cidadão que acredita que as eleições devem ser livres e justas, que os tribunais devem ser independentes, que o poder pertence ao povo. Naquela noite, a nossa democracia foi baleada. A nossa Constituição foi baleada.”

“À comunidade internacional: O que aconteceu a 18 de Outubro de 2024 não foi um crime comum. Foi um assassinato político e permanece impune. É um teste para todas as nações e instituições que defendem a democracia, os direitos humanos, o Estado de Direito e eleições livres e justas. Quando crimes desta natureza ficam impunes, a democracia morre em todo o lado.”

“O nosso país vive hoje uma penúria severa. O nosso povo enfrenta fome, desemprego, um sistema de saúde em colapso e um custo de vida que esmaga as famílias. Estas dificuldades persistem porque o diálogo foi recusado. Porque o apelo à reconciliação nacional e à paz foi respondido com silêncio e arrogância.”

“Durante muitos meses, estendi a mão para um diálogo nacional genuíno e inclusivo. Um diálogo assente na verdade, no respeito pela Constituição e no respeito pela vontade do povo. Um governo que recusa o diálogo abandona o seu próprio povo. Esse caminho é insustentável e perigoso para a paz e a estabilidade da nossa região.”

“É neste contexto que enfrento hoje um julgamento com motivações políticas, concebido para criminalizar o protesto pacífico e a dissidência. Enquanto aqueles que dispararam 25 balas contra Elvino Dias continuam livres, aqueles que exigiram justiça estão a ser processados. Isto não é justiça. É a instrumentalização da justiça. É o sinal mais claro de uma democracia moribunda.

Todos os países e organizações que apoiam a democracia compreendem este princípio: não pode haver estabilidade sem justiça, e não pode haver justiça sem liberdade.”

“Por isso, neste dia solene, e em memória deles: Continuamos a exigir uma investigação independente e credível sobre o assassinato de Elvino Dias e Paulo Guambe, e a responsabilização dos autores materiais e morais. Renovamos o nosso apelo inabalável a um diálogo nacional verdadeiramente inclusivo, sem pré-condições, para restaurar à ordem constitucional e a legitimidade democrática e para resgatar o nosso país do colapso. E reafirmamos o nosso compromisso: não seremos intimidados. Continuaremos esta luta de forma pacífica, legal e corajosa, pelo tempo que for necessário. Esta luta não é pelo poder. Esta luta é pelo povo. Vinte e cinco balas tentaram enterrar a verdade em 2024. Em 2026, a verdade está mais viva do que nunca. Elvino Dias vive. Paulo Guambe vive. A sua coragem vive em cada moçambicano que se recusa a ajoelhar. Que Deus abençoe as suas famílias. Que Deus abençoe Moçambique.”

“Pelo povo, até ao fim.”

“Venâncio Mondlane”

“Presidente do Povo”

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