Venâncio Mondlane Responsabiliza Daniel Chapo pelos Assassinatos de Membros da Oposição

Venâncio Mondlane responsabilizou politicamente o Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, pelos assassinatos de membros da oposição, nomeadamente do seu partido, Anamola, criticando o silêncio do chefe de Estado perante as denúncias.

“Nunca se pronunciou uma única vez sobre esse tipo de assassinatos”, afirmou o líder da oposição, em entrevista à DW, na sequência da morte de mais um membro do partido Anamola, na sexta-feira, 9 de Outubro, no distrito de Mopeia, na província da Zambézia.

As autoridades do governo de Daniel Chapo ainda não se pronunciaram sobre as denúncias do Anamola. Nas suas intervenções públicas, Daniel Chapo tem dito que o fracasso na sua governação está relacionado aos impactos dos tumultos que se seguiram as eleições de 2024.

“Podem nos matar, mas não vão matar a esperança de um povo”

Na sua página no facebok, Venâncio Mondlane escreve que mais de um ano depois das primeiras denúncias, as perseguições, intimidações e mortes de membros e apoiantes da Anamola continuam a ensombrar a luta política em Moçambique.

Referindo-se ao assassinato de um colaborador na sexta-feira em Mopeia, província da Zambézia, e o sequestro e outro na Katembe em Maputo, o presidente do Anamola diz que os acontecimentos mais recentes voltam a levantar uma pergunta inquietante: quem responderá por estas vidas e quando será feita justiça? Desde os tempos em que a Anamola era ainda um projecto político, sucedem-se denúncias sem que, até ao momento, haja respostas conclusivas que esclareçam os casos e responsabilizem os eventuais autores. O silêncio prolongado das autoridades competentes aprofunda a dor das famílias e alimenta a preocupação de todos os que acreditam na democracia, na liberdade e no direito à vida.

Na sua intervenção, VM7 volta a colocar esta realidade perante a consciência nacional. Porque nenhuma divergência política pode justificar a perseguição, a violência ou a perseguição, a violência ou a perda de vidas humanas. Exige-se verdade, investigação séria e justiça, não mais silencio. Podem perseguir, intimidar e tentar silenciar. Mas não podem apagar a esperança de um povo que continua a exigir verdade, liberdade e justiça.

Mondlane, que participou no sábado, em Lisboa, numa mesa-redonda sobre justiça eleitoral em Angola, disse ter enviado denúncias documentadas a várias instituições do Estado, criticando o silêncio de Daniel Chapo, que considera revelar “uma falta de postura de Estado”.

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