O Deputado Federal e Membro do Comité de Cooperação e Desenvolvimento do Parlamento alemão, Jan-Niclas Guesenhues, efectuou uma visita oficial à Moçambique entre os dias 6 e 10 do Março do presente ano com o principal objectivo de aprofundar as relações de amizade e de cooperação entre a Alemanha e Moçambique.
Durante a sua estadia em Moçambique, o Deputado Federal manteve encontros oficiais com o Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros da República de Moçambique, Manuel José Gonçalves, onde se inteirou sobre a situação política no país, com particular destaque para a situação de Cabo Delgado, caracterizada pela luta que o Governo e parceiros estão a travar contra o terrorismo. Na sequência, o Deputado Federal reuniu-se igualmente com o Comandante da missão de formação da União Europeia em Moçambique (EUTM Moçambique), Brigadeiro-General Pires, onde trocaram pontos de vista sobre o processo de capacitação das unidades das Forças Armadas de Moçambique.
Antes de se deslocar à Província de Cabo Delgado para se inteirar no terreno sobre a situação humanitária e de instabilidade que se vive no norte do país em virtude dos ataques terroristas, o Deputado Federal e Membro do Comité de Cooperação e Desenvolvimento manteve encontros com representantes dos partidos políticos no parlamento, nomeadamente, as bancadas parlamentares da FRELIMO, RENAMO e MDM, bem assim com diferentes actores e representantes da sociedade civil. Porém, não foram reveladas as entidades específicas da sociedade civil que se reuniram com o deputado alemão em Moçambique.
Já na província de Cabo Delgado, o Deputado alemão terá sido recebido em encontros de trabalho pelo Secretário de Estado da Província, o Governador da Província e igualmente pelo Presidente da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN). Segundo o Deputado “estes encontros permitiram que nos inteirássemos mais ainda sobre os desafios que a Província enfrenta e sobre os planos do Governo para fazer face aos mesmos, em especial no âmbito do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado.”
A Alemanha diz que é o segundo maior doador bilateral de ajuda humanitária do mundo, sendo que já canalizou cerca de 43 milhões de euros para Agências das Nações Unidas e ONGs, sendo que maior parte do valor foi destinado a Cabo Delgado.
É neste contexto, que se deslocou ao Distrito de Metunge para igualmente se inteirar sobre as actividades da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), e visitar o centro de reassentamento de Nanjua.
Antes de terminar a sua visita à província, o Deputado Federal esteve reunido com os Representantes das Confissões Religiosas, num encontro organizado pela COREM e apreciou os esforços que as mesmas têm levado a cabo no sentido de dar algum conforto aos seus fiéis neste momento difícil.
E porque parte da ajuda humanitária alemã é destinada a mitigação das consequências dos desastres naturais (ciclones, seca) no país, acompanhado pela Administradora do Distrito de Macomia e do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), o Deputado Federal efectuou uma visita a cidade onde de perto pôde constatar os estragos causados pelas mudanças climáticas. Em conferência de imprensa, o Deputado Federal e Membro do Comité de Cooperação e Desenvolvimento do Parlamento alemão sublinhou o seguinte:
“Com a minha viagem, gostaria de demonstrar que, apesar da difícil situação actual que se vive na Europa, nós, enquanto deputados do Parlamento Europeu, estamos a analisar de perto o desenvolvimento do conflito em Cabo Delgado. Quero reunir informação em primeira mão para podermos responder politicamente às necessidades decorrentes do conflito. Nos encontros, ficou claro que a presença militar em Cabo Delgado também estabilizou a situação por enquanto, contudo, o conflito está longe de terminar” disse.
O deputado alemão disse ainda que “uma solução duradoura deve ir muito além da intervenção militar. Precisamos de ajuda humanitária para as muitas pessoas deslocadas e afectadas. Ao mesmo tempo, são necessários programas de apoio às comunidades de acolhimento. Para além das respostas directas ao conflito, os encontros que mantive centraram-se também noutros domínios com oportunidades de uma cooperação mais estreita entre os nossos países. Vejo um grande potencial de cooperação, por exemplo, nos domínios da adaptação às mudanças climáticas, da protecção da diversidade biológica, da formação profissional, da energia, da economia circular e do tratamento de resíduos.”





