Está patente na Mediateca do BCI, em Maputo, a exposição individual do artista plástico moçambicano Jota Abreu, intitulada “A Infância como Destino: Memória e Resistência ao Esquecimento”, uma mostra que reúne 26 obras e propõe um reencontro com a infância enquanto lugar de construção da memória, da identidade e da própria experiência humana.
Produzidas em tinta sobre tela e apresentadas em diferentes dimensões, as obras partem da ideia da infância como a primeira morada do ser humano: o território onde se aprende a habitar o tempo, a nomear as coisas, a descobrir o outro e a construir as primeiras referências sobre o mundo. Através de cores, formas e personagens que evocam vivências e afectos, Jota Abreu convida o público a revisitar esse universo e a reflectir sobre aquilo que o tempo transforma, mas que a memória procura preservar.
Foi precisamente esta relação entre arte e memória que a representante do BCI e Coordenadora das Mediatecas do Banco, Telma Jorge, destacou na cerimónia de abertura, ao assinalar a sintonia entre a proposta artística da exposição e a vocação destes espaços enquanto lugares de conhecimento, encontro e valorização da criação cultural. “Guardar um livro é resistir ao esquecimento e preservar uma obra de arte é também resistir ao esquecimento. Contar uma história é resistir ao esquecimento e dar palco a um artista é contribuir para que a sua voz, o seu olhar e o seu tempo permaneçam na nossa memória”, afirmou.
Mais adiante, Telma Jorge sublinhou que acolher a exposição representa a continuidade do compromisso que o BCI tem vindo a assumir com a arte e a cultura moçambicanas, através da abertura de espaços, da valorização dos criadores e da aproximação entre os artistas e os seus públicos.
Um compromisso que assume particular significado no ano em que o BCI celebra 30 anos de existência, uma trajectória ao longo da qual o Banco tem procurado associar o seu contributo para o desenvolvimento do País não apenas à dimensão económica, mas também à promoção do conhecimento, da criatividade, da cultura e da identidade moçambicana.
Sobre a proposta artística da mostra, a apresentadora da mostra, Isabel Humbane, descreveu-a como uma “viagem profunda e necessária”, na qual a infância deixa de ser entendida apenas como uma etapa passada da vida e surge como uma fundação que permanece no indivíduo. Para Humbane, as obras funcionam como um “arquivo vivo”, ao preservarem vivências, afectos, cicatrizes e referências que fazem parte da identidade individual e colectiva.
Esta leitura encontra eco nas palavras do próprio Jota Abreu, que destacou a criança como elemento central do seu universo criativo, defendendo o direito à infância, ao afecto, à brincadeira e à descoberta. A exposição traduz, assim, um olhar que recupera a criança não apenas enquanto figura representada, mas enquanto memória que acompanha o ser humano ao longo da vida.
Ao acolher “A Infância como Destino: Memória e Resistência ao Esquecimento”, o BCI reafirma, deste modo, a sua aposta na promoção da arte e da cultura como dimensões fundamentais do desenvolvimento da sociedade, dando espaço ao talento moçambicano e contribuindo para que diferentes expressões artísticas encontrem novos públicos.
A exposição poderá ser visitada até 30 de Setembro, na Mediateca do BCI, em Maputo, com entrada livre ao público.





