O partido Anamola apresentou este sábado, 5 de Setembro, o jurista Alberto Manhique como o seu novo porta-voz nacional.
O partido de Venâncio Mondlane apresenta Manhique como um politico com uma trajectória de décadas dedicadas à luta pela democracia, direitos humanos, processos eleitorais, diálogo político e construção da paz. Alberto Francisco Manhique, entretanto, assume o cargo de porta-voz nacional da Anamola num contexto que Venâncio vai a julgamento acusado de cometer cinco crimes incluindo práticas relativas ao terrorismo.
De acordo com uma nota do partido Anamola, a escolha coloca na comunicação política do partido uma personalidade com experiência nacional, regional e internacional, formada no contacto directo com processos eleitorais, instituições, organizações da sociedade civil e diferentes actores políticos.
Manhique é formado em direito e sociologia política, é formador em Democracia, Direitos Humanos e processos eleitorais e possui experiência em missões de observação eleitoral em vários países africanos e da região da SADC.
Foi também uma das figuras moçambicanas envolvidas na mobilização internacional pelo banimento das minas antipessoais, tendo participado na assinatura do Tratado de Ottawa, em 1997.
A sua experiência no diálogo político e nos processos de paz deu-lhe um conhecimento profundo da realidade política moçambicana, enquanto o seu percurso na sociedade civil consolidou uma intervenção marcada pela defesa dos direitos, participação democrática e dialogo.
Na construção da aliança Anamola, Manhique assumiu responsabilidades de relevo. Em 2025, foi designado Secretário-geral interino participando da estruturação inicial do partido. Posteriormente, integrou a Comissão Executiva e assume também as funções de assessoria à Presidência para Relações Públicas.
Hoje, chega à função de porta-voz nacional trazendo consigo não apenas experiência, mas também conhecimento da trajectória e da construção interna da própria Anamola. Uma voz experiente para comunicar uma nova etapa da política moçambicana.
Críticos do Anamola relacionam o afastamento de Dinis Tivane da posição de porta-voz com alegadas crises que norteiam convivência interna do partido de Venâncio, sobretudo no que diz respeito a processo de ocupação de cargos de chefia. Não se sabe do futuro de Dinis Tivane no Anamola. No mês passado de Agosto, Venâncio Mondlane confirmou ter sido notificado pelo Tribunal Supremo para julgamento em breve em simultâneo com um controverso processo de perda de imunidade no Conselho de Estado onde é membro na qualidade de segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais de Outubro de 2024, que colocaram Daniel Chapo e a Frelimo vencedores pelo Conselho Constitucional. A decisão gerou uma onde violenta de protestos populares que culminou com centenas de mortes e destruição massiva de infra-estruturas públicas e privadas.
Entidades próximas do regime que actualmente governa em Moçambique acreditam que Venâncio Mondlane pode chegar a ser preso no julgamento, enquanto alguns sépticos defendem que o julgamento vai servir apenas para colocar o político numa situação de impedimento eleitoral e, consequentemente, fora da corrida para as eleições de 2029 permitindo que a Frelimo, irritada com o protagonismo que Venâncio tem estado a ganhar, concorra praticamente sozinha.





