O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25 %.Esta decisão é sustentada pelaredução da liquidez em moeda nacional no sistema bancário, decorrente do aumento do coeficiente de Reservas Obrigatórias em Maio último, não obstante a prevalência de elevados riscos e incertezas associados às projecções de inflação, com destaque para a duração do conflito no Médio Oriente e o consequente impacto sobre a cadeia logística,a oferta de bense a volatilidadedos preços internacionais dos combustíveis.
A presente sessão do CPMO foi precedida da reunião do Comité de Estabilidade e Inclusão Financeira do Banco de Moçambique, que avaliou os riscos sistémicos, as principais vulnerabilidades e a evolução dos indicadores de inclusão financeira, e concluiu que o sistema financeiro se mantém estável e resiliente e que os níveis de inclusão financeira continuam a melhorar.
Perspectiva-se um aumento da inflação no curto prazo e uma redução paraum dígito no médio prazo. Em Junhode 2026, a inflação anual fixou-se em 7,5%, após 7,2 % em Maio. A inflação subjacente, que exclui as frutas e vegetais e bens com preços administrados, permaneceu estável. No curto prazo, perspectiva-seque os preços continuem a aumentar, reflectindo os efeitos indirectos do aumento dos preços domésticos dos combustíveis líquidos eda inflação importada. Entretanto, no médio prazo, antevê-seuma redução da inflaçãopara um dígito, explicada, entre outros factores, pelasperspectivas de manutenção da estabilidade cambial e de abrandamento do preço dos produtos energéticos e dos alimentos.
Para o médio prazo, excluindo o gás natural liquefeito (GNL), perspectiva-se um crescimento económico moderado.No primeiro trimestre de 2026, estima-se que, excluindo o GNL, o produto interno bruto (PIB) tenha crescido 1,1%, após 4,8% no último trimestre de 2025. Quando incluído o GNL, o PIB desacelerou 0,1%, após um crescimento de 5,1% no quarto trimestre de 2025. No médio prazo, antevê-se um crescimento moderado da actividade económica, excluindo a produção do GNL, favorecido, em parte, pelas perspectivas de implementação de projectos em áreas estratégicas.
O endividamento público e os atrasados da dívida interna e externamantêm-se elevados, afectando o normal funcionamento do mercado financeiro. A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 538,3mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 63,7 mil milhões em relação a Dezembro de 2025.Persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna e externa, incluindo comas instituições financeiras nacionais e os credores multilaterais, com impactos, entre outros, na fraca apetência por títulos públicos,na rigidez das respectivastaxas de juro, bem como na avaliação do risco-país.
O sector bancário permanece sólido, capitalizado e resiliente. Em Junho de 2026, o rácio de solvabilidade global fixou-se em 28,1% e o de cobertura de liquidez de curto prazo em 55,2 %, ambos acima dos limites mínimos regulamentares. O risco sistémico manteve-se moderado. Adicionalmente, o teste de esforço macroprudencial evidenciou que o sector bancário continua com reservas de capital suficientes para absorver eventuais perdas e garantir a manutenção da solidez no médio prazo.
Os níveis de inclusão financeira continuam a aumentar, impulsionados pela digitalização dos serviços financeiros e pela expansão dos serviços das instituições de moeda electrónica. Entre Dezembro de 2024 eMaio de 2026, o número de pontos de acesso aos serviços financeiros aumentou em 47,0 %, reflectindo, principalmente, o crescimento de agentes de moeda electrónica em 54,0 %. Esta evolução foi acompanhada por um aumento de 18,0 % no número de contas de moeda electrónica, evidenciando a crescente utilização dos serviços financeiros digitais pela população adulta. Este desempenho decorre, entre outros, do impacto da interoperabilidade entre as instituições de moeda electrónica, bancos, microbancos e demais prestadores de serviços de pagamento, através da SIMOrede.
A implementação do sistema de pagamentos instantâneos (METIX)dinamiza as transacções financeiras.Com a introdução do METIX, observa-se uma tendência de aumento de uso deste sistema, o que evidencia maior preferência pela realização de transferências interbancárias de forma imediata, cómoda e gratuita, sendo que, desde a sua entrada em produção, em Março de 2026, o número de transferências triplicou para mais de 11 mil por dia.
O mercado cambial regista maior fluidez, sustentada pela indústria extractiva, com elevados níveis de compras e vendas de divisas. No primeiro semestre de 2026, as compras de divisas pelos bancos comerciais aumentaram em USD 352 milhões, face ao período homólogo de 2025, atingindo USD 4,24 mil milhões.No mesmo período, as vendas de divisas pelos bancos aos seus clientes aumentaram em USD 356 milhões, para um total de USD 4,16 mil milhões, tendo osector de combustíveis absorvido50,0% das divisas vendidas aos maiores compradores no mercado cambial.
Os riscos e as incertezas associados às projecções da inflação mantêm-se elevados. A nível doméstico, evidenciam-se riscos e incertezas quanto à magnitude dos impactos indirectos do aumento dos preços dos combustíveis; ao ritmo de reposição da capacidade produtiva na sequência das inundações, que assolaram o País no primeiro trimestre do ano; aos efeitos do agravamento do risco fiscal, com destaque para o aumento do nível de endividamento e dos atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado; e aos efeitos dos choques climáticos. A nível externo, destacam-se as incertezas quanto à duração e à magnitude do impacto do conflito geopolítico no Médio Oriente sobre a cadeia logística, bem como sobre a oferta de bens e os preços dos produtos energéticos e alimentares.
A direcção da política monetária continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação.
A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 30 de Setembrode 2026.




