Chapo Defende Transformação Económica Baseada na Industrialização no Lançamento do Livro de Niquice

O Presidente Daniel Chapo, sexta-feira, 15 de Maio, em Maputo, uma transformação estrutural urgente da economia nacional, baseada no processamento local de recursos e na agregação de valor, como pilares para alcançar a plena independência económica do país.

Chapo falava durante o lançamento do livro Economia do Caju em Moçambique: O Contexto das Políticas das Instituições de Bretton Woods e os Pressupostos da Engenharia de Reindustrialização, da autoria de António Niquice, Primeiro Secretário do Partido Frelimo em Maputo, com o prefácio do Estadista.

No seu discurso, o Presidente sublinhou que se trata de “uma obra actual e que todos nós, sobretudo a juventude, devíamos ler” porque o livro transcende o debate estritamente académico, funcionando como uma ferramenta de autoanálise sobre as grandes decisões que moldaram o Produto Interno Bruto (PIB) e as estruturas sociais do país ao longo das últimas décadas.

“As nações transformam-se não apenas pelas decisões políticas que tomam, mas também pela capacidade que possuem de estudar criticamente, como fez António Niquice, a sua própria história”, observou, acrescentou ainda que é necessário compreender os desafios estruturais do país, promover reformas e projectar soluções sustentáveis para as gerações vindouras.

O Presidente Chapo justificou o seu envolvimento directo na obra através do prefácio, sublinhando que a pertinência do texto vai muito além da agricultura.

Segundo explicou, a aceitação do convite baseou-se no reconhecimento de que “a sua abordagem ultrapassa o universo do subsector do caju, remetendo-nos para questões centrais sobre industrialização, soberania económica, capacidade produtiva nacional e os caminhos que Moçambique deve trilhar rumo à sua Independência Económica”.

Por conseguinte, recordou ainda que o caju colocou Moçambique entre os maiores produtores mundiais na década de 1970, com mais de 200 mil toneladas anuais. Mas Chapo não disse que o sector do caju degradou com a introdução de políticas da Frelimo, introduzidas na governação de Joaquim Chissano, que culminou com o encerramento de fábricas promissoras colocando centenas de moçambicanos ao desemprego, famílias destruídas em províncias como Gaza, Inhambane, Manica, Zambézia, Nampula entre outras.

Na ocasião Chapo recordou que o sector gerava emprego intensivo, sobretudo para as mulheres, contribuindo para a dignidade e rendimento de milhares de famílias. Ao analisar o impacto das políticas económicas internacionais implementadas no passado, o Chefe do Estado adoptou um tom crítico, mas orientado para a acção reformadora.

Reconheceu que certas medidas herdadas fragilizaram o tecido fabril do país e enfraqueceram as cadeias produtivas nacionais.

O governante moçambicano apresentou também a sua visão sobre o modelo de desenvolvimento para Moçambique, defendendo que o crescimento económico real deve traduzir-se em bem-estar e criação de postos de trabalho internos. “Nenhum país alcança soberania plena quando produz muito, exporta muito e, ainda assim, retém pouco valor daquilo que produz”, alertou.

Daniel Chapo insistiu: “a nossa visão de Independência Económica assenta principalmente na necessidade de transformar estruturalmente a nossa economia nacional”. E acrescentou que “não basta produzir, é necessário transformar. Não basta exportar recursos, é necessário agregar valor”.

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