Literatura Infanto-juvenil dos PALOP e Timor-Leste na Feira do Livro de Bruxelas

Entre os dias 26 e 29 de Março em curso, Bruxelas torna-se o ponto de encontro de vozes emergentes da literatura infanto-juvenil dos países africanos de língua oficial portuguesa e Timor-Leste.

O evento, integrado na Feira do Livro de Bruxelas, marca um momento simbólico: pela primeira vez, autores, ilustradores e editores desta geografia cultural apresentam, em conjunto, os seus projectos ao mercado editorial europeu.

Trata-se do culminar de um percurso iniciado há cerca de sete anos com o programa PROCULTURA, uma iniciativa financiada pela União Europeia com um investimento de 19 milhões de euros, gerida pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, e co-financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.

No centro desta dinâmica está também a ANIMA Estúdio Criativo, entidade moçambicana que tem desempenhado um papel-chave na implementação e dinamização de projectos ligados à literatura infanto-juvenil, particularmente na área da banda desenhada e da formação de novos autores. Sob a coordenação de Fábio Ribeiro, a ANIMA tem demonstrado como estruturas locais podem funcionar como ponte entre criadores e oportunidades internacionais, criando ecossistemas editoriais onde antes existiam apenas iniciativas isoladas.

Quatro projectos, uma nova paisagem literária

O projecto BDPALOP apostado na banda desenhada tem apoiado duplas criativas de argumentistas e ilustradores de Moçambique, Angola e Cabo Verde, através de um concurso anual que atribui bolsas de cinco mil euros. O resultado, ao longo de três anos, são 27 obras publicadas e 21 mil exemplares distribuídos não apenas nos PALOP, mas também em Portugal e no Brasil. Mais do que números, trata-se da criação de um ecossistema que cruza narrativa visual, formação e edição, envolvendo 54 bolseiros e uma rede crescente de leitores.

Já a ‘Ilhas e Encantamentos’ recupera e reinventa patrimónios culturais locais. Desenvolvido em territórios insulares reconhecidos pela UNESCO, o projecto transforma tradições orais, paisagens e imaginários em literatura infanto-juvenil. Os 12 livros publicados são apenas a ponta visível de um trabalho mais profundo, que inclui a criação de “Casas dos Contos” — espaços comunitários que funcionam como bibliotecas vivas.

Em Timor-Leste, a associação HaktuirAi-knanoik tem vindo a desempenhar um trabalho essencial de recolha e adaptação de contos tradicionais. Fundada em 2014, a associação conta hoje com 30 elementos voluntários.

Por sua vez, o concurso ‘Nó na Gaveta – Livros de Cartão’ introduz uma dimensão experimental e sustentável. Promovido pela Kuvaninga Cartão Moçambique, o projecto alia a descoberta de novos talentos à consciência ambiental: as obras vencedoras são editadas com capas de cartão reaproveitado, transformando materiais reciclados em objectos de arte literária.

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