O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%.Esta decisão decorre da materialização e do agravamento substancial de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a eclosão do conflito no Médio Oriente e os seus impactos na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares, que influenciaram a revisão em alta das perspectivas da inflação. Neste contexto, o CPMO interrompeu o ciclo de redução iniciado em Janeiro de 2024, condicionando as futuras decisões à evolução e materialização dos riscos e incertezas internos e externos.
Os riscos e incertezas associados às projecções da inflação agravaram-se significativamente
A nível externo, destacam-se a duração e a magnitude do impacto do conflito geopolítico no Médio Oriente na cadeia logística, bem como na oferta e nos preços dos produtos energéticos e alimentares. A nível doméstico, evidenciam-se as incertezas quanto à magnitude do impacto dos choques climáticos na cadeia logística e na oferta de bens, o ritmo de reposição da capacidade produtiva e os efeitos da persistência do risco fiscal, com destaque para os atrasos nos pagamentos devidos pelo Estado.
As perspectivas da inflação foram revistas em alta
Em Fevereiro de 2026, a inflação anual fixou-se em 3,2 %, após 3,0 % em Janeiro. A inflação subjacente, que exclui frutas, vegetais e bens com preços administrados, manteve-se estável. No curto e médio prazo, antevê-se um aumento dos preços, reflectindo, entre outros factores, os efeitos do conflito no Médio Oriente e o impacto das recentes inundações, não obstante a manutenção da estabilidade do Metical.
Perspectiva-se um crescimento económico moderado
No quarto trimestre de 2025, o produto interno bruto cresceu 4,7 %, após uma contracção de 0,9 % no trimestre anterior, reflectindo a melhoria do desempenho em todos os sectores de actividade. Para o curto e médio prazo, prevê-se uma recuperação gradual da actividade económica, porém, a um ritmo mais lento, devido aos efeitos dos choques climáticos e ao provável abrandamento da economia global, em face do conflito no Médio Oriente.
O endividamento público interno continua a agravar-se, condicionando o normal funcionamento do mercado financeiro
A dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 487,3 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 12,7mil milhões em relação a Dezembro de 2025. Persistem atrasos no pagamento da dívida pública interna pelo Estado, com impactos na fraca apetência por títulos públicos e na rigidez das taxas de juro do mercado monetário interbancário.
A direcção da política monetária continuará condicionada à avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções da inflação.





