Governo Diz Que o Casco da Unidade Flutuante do Projecto de Gás FLNG Foi Lançado na Coreia do Sul

O Governo de Moçambique e os seus parceiros do Consórcio liderado pela Eni Rovuma Basin (ERB) anunciou, a 16 de Janeiro corrente, um novo marco no desenvolvimento da indústria nacional de gás natural, com o lançamento, na Coreia do Sul, do casco da unidade flutuante Coral Norte FLNG, projecto que reforça a posição do país como actor estratégico no mercado global de Gás Natural Liquefeito (GNL).

O evento representa uma etapa determinante na implementação do segundo projecto de GNL em águas ultra-profundas na Bacia do Rovuma, e ocorre após a aprovação, em Abril de 2025, do Plano de Desenvolvimento do Coral Norte FLNG, confirmando a execução consistente do calendário estabelecido para o projecto.

O Projecto Coral Norte FLNG, aprovado pelo Conselho de Ministros em Abril de 2025, é uma réplica do Projecto Coral Sul FLNG, em produção desde 2022, o primeiro projecto a nível mundial a operar em águas ultra profundas, e integra uma infraestrutura flutuante para a liquefacção de gás natural com capacidade de produção de 3,55 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL) por ano, através de 06 (seis) poços de produção e infraestruturas submarinhas. O projecto alcançou, até Novembro de 2025, um progresso global superior a 43%, e já foram assinados diversos contratos para a aquisição e instalação de equipamentos críticos. Para 2026, está prevista, entre outros marcos, a perfuração dos seis poços de produção e a aprovação dos Contratos de Compra e Venda de GNL.

Falando durante a cerimónia, o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estevão Pale, destacou que o lançamento do casco simboliza a conclusão da construção da infraestrutura principal e o início da fase de integração dos módulos de produção e processamento.

“O lançamento do casco representa um marco de grande relevo no ciclo da implementação do projecto Coral Norte FLNG, simbolizando a conclusão da construção da infraestrutura principal da unidade flutuante e o início da fase de integração dos módulos dos sistemas de produção e processamento do Gás Natural”, afirmou o governante.

Para o Governo, trata-se de um passo decisivo na trajectória do país como produtor responsável de gás natural, reforçando a confiança nos parceiros e no seu papel como fornecedor fiável de energia ao mercado internacional.

Com uma capacidade de liquefacção estimada em 3,6 milhões de toneladas por ano, o Coral Norte deverá elevar a produção total da Bacia do Rovuma para cerca de 7 milhões de toneladas anuais, reforçando substancialmente o contributo nacional para a segurança energética internacional. O projecto posicionará Moçambique como o terceiro maior produtor de GNL em África.

“A materialização do Coral Norte FLNG vai se traduzir em receitas fiscais e outros ganhos do governo (…) contribuindo na estabilização e equilíbrio da Balança de Pagamentos Nacional e conferindo ao Estado meios financeiros para cumprir com os programas de educação, saúde e infraestrutura públicas (…) além da criação de emprego para jovens moçambicanos”, disse.

Com um investimento de USD 7.2 mil milhões, anunciado a 02 de Outubro de 2025, aquando da Decisão Final de Investimento (FID), o Projecto Coral Norte FLNG vai gerar receitas na ordem de USD 23 mil milhões de dólares, promover a criação de emprego por meio da contratação de trabalhadores locais e implementação de um plano de nacionalização e sucessão, para aumentar a qualificação da mão-de-obra moçambicana no sector, além de promover emprego, transferência de tecnologia e o reforço do conteúdo local. O GNL produzido, será usado no mercado doméstico e exportado por meio de navios.

Para além do impacto macroeconómico, o Coral Norte FLNG deverá dinamizar a cadeia de valor através de emprego, formação técnica, transferência de conhecimento e maior participação do sector empresarial nacional.

A entrada em operação do Coral Norte FLNG está prevista para 2028, numa conjuntura internacional marcada por maior procura de fontes energéticas seguras e diversificadas.

A infraestrutura flutuante será ancorada na Área 4 da Bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, a mais de 50 km da costa do Distrito de Palma, e a cerca de 10 km ao norte da já existente Coral Sul FLNG, consolidando Moçambique como um dos principais pólos7 de produção de GNL offshore do mundo.

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