O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, denunciou esta terça-feira, 9 de Dezembro de 2025, que a crise humanitária e de segurança em Cabo Delgado continua a ser negligenciada pela comunidade internacional.
O alerta foi lançado durante uma conferência de imprensa realizada no âmbito da visita de trabalho que efectuou à província, onde manteve encontros com comunidades afectadas pelos ataques armados.
Segundo o cardeal, apesar dos anos de violência e deslocações massivas, a resposta internacional permanece muito aquém das necessidades reais da população.
“É angustiante, porque não há atenção suficiente por parte da comunidade internacional sobre a situação de Cabo Delgado. Eu acredito que as autoridades deste país deveriam dedicar mais atenção a essa situação. Eu digo que este é um problema de muitos países.” — Afirmou.
O Secretário de Estado do Vaticano expressou a esperança de que a sua deslocação a Moçambique contribua para despertar maior mobilização global em torno da busca de soluções sustentáveis para a paz na província.
“Eu espero que essa visita possa ajudar a criar mais atenção da comunidade internacional, porque devemos ajudar Moçambique a sair dessa situação, devolver a paz e a segurança na região de Cabo Delgado, que merece mais segurança.” — Avançou.
Para além do apelo à intervenção internacional, o cardeal destacou a importância de investir no futuro da juventude como estratégia essencial para garantir estabilidade duradoura.
“Eu acredito que apostar na formação de jovens é muito importante para construir um mundo melhor”. — Declarou.
A visita do Cardeal Pietro Parolin a Cabo Delgado insere-se nos esforços do Vaticano para reforçar a presença diplomática e humanitária em regiões afectadas por conflitos, reiterando o compromisso da Igreja Católica com a promoção da paz e da dignidade humana.
A insurgência armada em Cabo Delgado, activa desde 2017 e responsável por milhares de mortes e mais de um milhão de deslocados, continua a recordar ao país e ao mundo que o terrorismo permanece a maior ameaça à paz em Moçambique.





