PRM Confirma Linchamento e Carbonização de Comandante da Força Local de Metoro em Cabo Delgado

A Polícia da República de Moçambique (PRM) confirmou nesta segunda-feira, 01 de Dezembro de 2025, os factos revelados recentemente pela nossa redacção sobre o linchamento e posterior carbonização de um comandante da Força Local no posto administrativo de Metoro, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.

A confirmação foi feita pela porta-voz da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, que detalhou o que esteve por detrás da fúria popular que culminou na invasão do posto policial e na morte do agente.

“Na semana passada, concretamente no dia 26 Novembro do ano 2025, a cerca das 08 da manhã, uma unidade policial do posto Administrativo de Metoro teria sido alvo de invasão popular, com objectivo de buscar alguma satisfação de um membro da força Local que se encontrava na custódia polícia, porque no mês de Outubro, teria três membros daquela comunidade, e no dia anterior, neste caso no dia 25, teria sido encontrado o genro do indiciado com uma motorizadas pertencentes a um destes três jovens que teriam desaparecido no mês de Outubro”, afirmou.

A porta-voz confirmou que as tensões vêm desde Outubro, quando três jovens desapareceram após serem interpelados pela Força Local.

“Reza a história que no mês de Outubro, este membro da força local que encontrava-se na companhia de outros dois membros da força local, em uma patrulha, teriam interpelados três cidadãos pertencentes aquela comunidade, e neste ato de busca de informação, teriam constatado que segundo o falecido, que estes pertenceriam ao grupo terrorista, e posto isto, estes teriam apoderado-se de três motorizadas e teriam desaparecidos com estes três cidadãos, ao conseguinte, estes teriam tirado a vida dos mesmos”.

Nhamussua acrescenta que as motorizadas dos desaparecidos foram distribuídas entre membros da Força Local.

“Posto isto, eles teriam levado às motorizadas e tendo feito a distribuição das mesmas, para os membros da força local e este que foi vítima do linchamento, teria atribuído a motorizada de um destes três homens que teriam desaparecido no mês de Outubro ao seu genro, com o objetivo de que este pudesse fazer o trabalho de taxi-mota”. A situação agravou-se quando o genro foi visto a circular com a motorizada identificada pela comunidade.

“No dia 25 de Novembro, este teria sido visto pela população a circular com a motorizada, e a comunidade reconheceu a motorizada sendo pertencente a um destes jovens que teria desaparecido, no mês de Outubro, ao que teriam parado este cidadão e, inquerindo-o, no âmbito deste inquérito, este teria dado a conhecer aquela população qual teria sido a proveniência da motorizada e, está informação teria chegado a polícia”.

Depois disso, o comandante confirmou a posse da motorizada e como a havia obtido.

“Quando a polícia entrou em contacto com este contacto que acabou sendo vítima de linchamento, este confirmou que sim, a motorizada era da sua pertença e falou de como teria conseguido a mesma e que teria atribuído ao genro com a finalidade de realizar actividades de taxi-mota”. Nhamussua disse que a informação espalhou-se rapidamente e motivou a invasão do posto policial.

“Ao que nós estivemos, este que esteve sobre custódia polícia, mas está informação acabou sendo do domínio da comunidade, ao que estes furiosos, acabaram invadindo o nosso posto policial com recurso a força, tiraram-no, este cidadão que encontrava-se a nossa posse, agrediram fisicamente e acabaram linchado-o”. A PRM diz ter solicitado reforço, mas as forças chegaram tarde.

“Importa referenciar que na altura dos factos, nós teríamos solicitados apoio das forças que estavam a alguma distância onde o facto aconteceu, mas infelizmente, a nossa força de reforço teria chegado ao local depois dos factos terem sido concretizados e que naquela altura, a única alternativa que nos sobrava teria sido de dispersar a população e proteger o local dos factos, onde se encontrava o corpo deste cidadão linchado”.

O comandante linchado estava em serviço no momento dos acontecimentos.

“Este era comandante desta força, e na altura dos factos, estes estavam a desenvolver uma operação conjunta com outros comandantes da mesma força e, infelizmente teria acontecido este homicídio”. A PRM voltou a condenar a justiça pelas próprias mãos.

“Todas as vezes que se opta pela justiça privada para resolver situações de desentendimento ou mesmo criminais, o que tem se verificado é a ocorrência de novos casos criminais, mas não a resolução dos casos anteriores”. A força policial apelou à população para evitar a repetição de casos do género. “Apelamos a população no seu todo para que não opte pela justiça privada como meio de resolução dos conflitos que tem surgidos no dia-a-dia nas nossas comunidades”.

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