O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) em Metuge, província de Cabo Delgado, deteve a directora distrital de Planificação e Infraestruturas e ponto focal do Instituto Nacional de Gestão de Desastres Naturais (INGD), apontada como principal suspeita do desvio de produtos alimentares destinados a deslocados vítimas do terrorismo.
A informação foi avançada na tarde desta quarta-feira, 26 de Novembro de 2025, por Orlando Pacela, Inspector de Investigação e Instrução Criminal, em conferência de imprensa realizada naquele distrito de Cabo Delgado.
Entre os produtos apreendidos constam nove sacos de arroz, seis de farinha, três embalagens de açúcar e três caixas de óleo de cozinha.
“No âmbito de monitoramento e gestão da criminalidade ao nível do distrito de Metuge, pelas 13 horas do dia 21 de Novembro de 2025, a partir das nossas fontes, tomamos conhecimento que havia uma incursão de desvio de produtos da primeira necessidade”, contou Pacela.
Segundo explicou, os produtos: arroz, óleo, açúcar e farinha de milho, e estavam a ser transportados de forma ilegal. Com apoio da força operativa no posto de controlo de Muepane, os agentes conseguiram travar os implicados.
“Foi possível a neutralização dos indiciados, como também a apreensão da viatura e, como não bastasse, dos próprios produtos”, disse o inspector, sublinhando que os bens em causa fazem parte das doações do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), para apoio aos deslocados do distrito de Metuge.
Durante a abordagem no local, foi identificada como envolvida a directora distrital, que também desempenha o papel de ponto focal do INGD naquele distrito.
“Ao longo da investigação preliminar no local, constatamos que se trata da directora distrital de Plano e Infraestruturas do distrito de Metuge e, por sinal, a mesma é ponto focal do Instituto Nacional de Desastres Naturais”, revelou.
A suspeita não estava sozinha. Um homem que a acompanhava na viatura também foi detido.
“Não temos nenhuma informação sobre se trata do namorado, mas, na verdade, fazia-se transportar na viatura com um homem, e que também foi detido”, acrescentou Pacela.
“Eu penso que não falhou alguma coisa, porque se tivesse falhado, eles não estariam detidos e os bens também não estariam apreendidos”, rematou o inspector, referindo-se ao êxito da operação.
O SERNIC já remeteu o processo para os próximos trâmites legais.
Questionados pela imprensa, os indiciados limitaram-se a dizer que não sabem por que foram apreendidos, numa tentativa de se desvincular das acusações que recaem sobre eles.





