Terroristas Voltam a Vandalizar e Saquear Bens Populares no Posto Administrativo de Mahate em Cabo Delgado

Em menos de duas semanas depois de a aldeia de Quilipe, no posto administrativo de Mahate, ter sido saqueada, a violência voltou a assombrar o mesmo posto administrativo. No final da tarde de domingo, 02 de Novembro de 2025, e durante a noite, a aldeia de Arimba foi invadida. Moradores relatam destruição de barracas e roubo de bens, reforçando o clima de insegurança e medo que persiste na região.

Os habitantes descrevem uma noite de terror, em que os malfeitores invadiram o local com aparente impunidade, retirando todos os bens que encontravam. A sensação de vulnerabilidade é imediata e intensa, pois os ataques acontecem repetidamente em aldeias diferentes do mesmo posto, deixando famílias inteiras desprotegidas.“Os malfeitores estavam lá ontem à noite, chegaram, invadiram a aldeia, barracas e tiraram aquilo o que a população tinha”, relatou um residente.A população lamenta que, apesar das visitas e promessas das autoridades, a segurança não é garantida.

Muitos moradores percebem a acção do Governo como insuficiente ou até facilitadora da violência, aumentando o sentimento de abandono e desesperança.“O Governo criou um grupo de malfeitores que não consegue alimentar”, lamentou um morador.Testemunhas descrevem que, após o ataque, o administrador distrital e a sua equipa abandonaram a aldeia, sinalizando fragilidade institucional e falta de medidas eficazes de protecção. Essa fuga reforça a percepção de que a população está sozinha diante da violência.

“O administrador com elenco dele, subiram no carro e passaram daí a fugir, porque a situação não está boa. Saiu nesta manhã de segunda-feira, juntos com o Director distrital de Saúde”, disse um habitante.A população sofre consequências directas, pois o roubo e a destruição comprometem a subsistência das famílias. Moradores questionam como é possível sobreviver e garantir desenvolvimento num cenário de ataques repetidos, destacando a vulnerabilidade das comunidades costeiras que dependem da pesca e do comércio local.

“Uma pessoa está trabalhar para sustentar a família, chega um grupo, vandaliza, leva o que quer e vai embora. Como é que a população vai sobreviver? Que desenvolvimentos vamos ter em Moçambique?”, desabafou um pescador.A recente visita do governador da província, dois dias antes do ataque, reforçou a sensação de abandono. Moradores interpretam as declarações do governador como uma autorização indirecta para que os malfeitores actuem impunemente, gerando revolta e desconfiança sobre a actuação do Estado.“Aqui nem a vida segura não temos, nem a vida normal não temos. Para melhor dizer, o nosso governador está a dar caminho para os malfeitores. Na semana finda, ele chega na aldeia de Arimba, fez um comício a falar para população que ‘quando os insurgentes chegarem, vocês não podem fazer nada, devem deixar eles’. Mas o que quer dizer isso? Então, ele vinha abrir o caminho para os malfeitores entrarem”, denunciou uma moradora.

Além do medo, há um sentimento crescente de traição por parte das autoridades. Moradores sentem que o Governo, em vez de os proteger, deixa-os vulneráveis aos ataques, aumentando a tensão e o descontentamento social.“Já estamos a ter visão que ele que está a nos trair”, acrescentou outro residente.Para a população, a insegurança é amplificada pela suposta incapacidade ou conivência das forças estatais, que não conseguem controlar os malfeitores e, em alguns casos, contribuem para a destruição e o caos.

“O próprio Governo é que está mandar destruir o país, muito mais a nossa província e, o nosso distrito de Quissanga é alvo disso, porque não passa uma semana sem estes malfeitores pisarem aqui”, acusou um morador.A população local também acusa elementos das forças navais de atacar civis no mar, em particular pescadores, dificultando ainda mais a subsistência de comunidades que dependem da pesca artesanal.

“Quando te encontram no alto mar a pescar, aquele grupo de força marinha com bandeira de Moçambique, logo te mata. Não pergunta que você é quem, não procuram saber quem é a pessoa, só bambardeiam e prontos”, relatou um residente também pescador.Moradores lembram episódios semelhantes em distritos vizinhos, denunciando que a população está constantemente em risco, seja por acção dos insurgentes ou de forças estatais.“Veja só, há poucos meses acompanhou que a mesma força marinha matou por aí 20 pessoas no distrito de Ibo. É a mesma coisa que está a acontecer aqui. O inimigo passa no mato, o nosso militar vai matar pescador no mar. Uma coisa que não se entende e sem sentido.”

Além de Mahate, os moradores relatam que a violência se estende para o distrito vizinho de Metuge, limitando a mobilidade e criando um ambiente de medo constante. A nossa reportagem apurou que, desde a passada sexta-feira até à manhã desta segunda-feira 03 de Novembro, foram registadas movimentações suspeitas e sinais de instabilidade.A repetição de ataques em diferentes aldeias do mesmo posto administrativo evidencia a gravidade e continuidade da crise. No dia 24 de Outubro, a aldeia de Quilipe também foi saqueada, reforçando o clima de insegurança e vulnerabilidade das comunidades locais.

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