A violência armada que assola a província de Cabo Delgado desde 2017 já ceifou a vida de pelo menos 16 professores, revelou a secretária provincial da Organização Nacional dos Professores (ONP), Atija Assane.
A denúncia foi feita neste domingo, 12 de Outubro de 2025, durante as comemorações do 44º aniversário do Dia dos Professores, celebrado sob o lema “Reinventando o Futuro e Liderando em Tempo de Crise – (ONP SNPM)”.
De acordo com Assane, todas as vítimas mortais são do sexo masculino, tendo sido assassinadas em diferentes ataques protagonizados por grupos armados que operam na região. A responsável lamentou o impacto da instabilidade sobre o sector educativo e destacou a vulnerabilidade dos profissionais da educação nas zonas mais afectadas.
Neste momento, a ONP conta com um total de 14.695 membros em Cabo Delgado, entre funcionários e agentes do Estado, dos quais 5.395 são mulheres. Do total, 1.418 exercem funções não docentes. Além das perdas humanas, a dirigente indicou que 136 professores estão actualmente acamados, sendo 94 homens. Só em 2025, a província perdeu 74 professores: 61 homens e 13 mulheres.
Assane alertou ainda para problemas estruturais que afectam a qualidade do ensino, entre eles: carência de professores e infraestruturas, sobrelotação das salas, escassez de material didáctico, e atrasos nos pagamentos de horas extras e da segunda turma.
“Persistem falhas no cumprimento das obrigações institucionais. Temos turmas superlotadas, falta de livros no ensino primário, ausência de formação para o novo currículo, e condições físicas precárias nas escolas. Acrescem ainda as dificuldades na tramitação de documentos para progressões, promoções e mudanças de carreira”, referiu.
A dirigente apontou também a inexistência de subsídios de risco, atrasos nos processos relacionados com subsídios de funeral e por morte, ausência de uniformes e problemas no acesso ao cartão de assistência médica e medicamentosa. A falta de habitação condigna, bolsas de estudo para professores em exercício e a inexistência de sedes funcionais da ONP em diferentes níveis, foram igualmente destacadas.
Num apelo final, Assane defendeu a inclusão efectiva dos professores nos processos de elaboração das políticas públicas do sector, sublinhando que não há educação de qualidade sem investimento real.
“Não se constroem bons professores com improviso. A ONP acredita que inovação e liderança devem andar de mãos dadas para transformar desafios em oportunidades. Exigimos ser parte activa na definição das políticas educacionais. É com esse espírito que continuaremos a lutar por uma escola melhor, mais justa e mais inclusiva”, concluiu.





