Deputados da Assembleia Municipal do Ibo, na província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, denunciaram em exclusivo a nossa reportagem nesta terça-feira, 14 de Outubro de 2025, a grave crise financeira que atravessam, afirmando estar mais de 13 meses sem receber salários, numa situação que descrevem como “insustentável” tendo em conta o nível da degradação das suas vidas.
“Estamos mal. Muito mal mesmo. Temos família para cuidar, provocamos muitas dívidas com a expectativa de que receberíamos alguma coisa. Os meses estão a passar, e dentro de dias completamos 14 meses sem salários. Não está ser sustentável”, lamentou um dos deputados em declarações recolhidas localmente.
A crise financeira está a afectar não só os eleitos, mas também os funcionários do município. Segundo apurou a reportagem, há funcionários com salários em atraso há cerca de sete meses, embora os detalhes ainda não tenham sido oficialmente confirmados.
De acordo com os deputados, o Município do Ibo “não tem produção” e não arrecada receitas suficientes para suportar despesas básicas. “Fala-se que o Fundo de Compensação Autárquica ainda não foi disponibilizado. Os fundos próprios do Conselho Municipal não chegam sequer para pagar os salários dos deputados da Assembleia Municipal. Estão a nos prejudicar”, acrescentou um membro.
Outro deputado, da bancada da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), Abubacar Abdulraimo, reforçou a gravidade da situação:
“Aqui na vila municipal do Ibo, a situação está muitíssimo mal. Estamos a viver à rasca. A vida está complicada. Não há turismo. Há cerca de vinte barracas, e o que se recolhe não chega para nada”, afirmou.
A precariedade chegou ao ponto de afectar o funcionamento interno da própria assembleia. “Temos realizado algumas sessões, mas não há nada. Nem água, nem lanche. Cada um traz a sua mandioca seca para participar. É tudo à maneira”, revelou um dos eleitos.
Segundo apuramos, a Assembleia Municipal do Ibo é composta por 15 deputados, sendo 13 provenientes do partido Frente de Liberação de Moçambique (Frelimo) e 2 da Renamo.
Oficialmente o Conselho Municipal ainda não se pronunciou sobre esta matéria, relativa aos atrasos salariais em simultâneo com a baixa capacidade na recolha da renda local. No entanto, o nosso jornal tem estado a fazer diligências para o acesso a reacção da autoridade competente.





