Esta semana Joseph Hanlon lançou o livro “Moçambique Recolonizado Através da Corrupção; Como o FMI Criou um Estado Oligárquico”, de onde extraímos o artigo que se segue onde o escritor faz revelações sobre os contornos do assassinato do economista Siba Siba Macuacua, do antigo banco Austral, actual Absa Bank.
“Num sábado de Agosto, a sede do Banco Austral (metamorfose do ABSA Bank) em Maputo estaria normalmente fechada e trancada, mas pelo menos 45 pessoas autorizadas, estavam a trabalhar febrilmente num relatório para uma reunião vital na segunda-feira.”
“Por volta das 13 horas, o presidente do banco, António Siba Siba Macuácua, foi atraído ou forçado a sair do seu gabinete do 15º andar e atirado pelo vão das escadas. A queda provocou a sua morte. Mas quem matou Siba Siba? Parece um clássico assassinato num palacete de Agatha Christie, com todos os suspeitos conhecidos e presentes. Mas Siba Siba era uma pessoa real e importante. Era casado e pai de dois filhos.”
“Era Director de Supervisão Bancária no Banco de Moçambique, o banco central, e um dos seus funcionários mais importantes e de confiança. Tinha sido colocado à frente do Banco Austral apenas cinco meses antes, para tentar identificar empréstimos e transferências fraudulentas, de mais de 150 milhões de dólares, por funcionários do banco. Várias pessoas presentes no banco nesse dia, tinham razões para querer Siba Siba morto. Outro grupo que, no entanto, não estava lá nesse dia, tinha também motivos para estar satisfeito com a sua morte, não querendo que os seus assassinos nem os seus relatórios de fraude se tornassem públicos. Mas este não é um romance policial da Agatha Christie. Ninguém foi processado pelo assassínio ou pelas fraudes. Um presidente do banco jazia morto no rés-do-chão da sede do seu banco e faltavam 150 milhões de dólares.”
“Quem o matou? Quem ordenou o seu assassinato? E por que é que não houve pressão sobre as autoridades moçambicanas para investigar e processar os que roubaram e mataram? Neste livro mostramos que a resposta foi dada por outro escritor de romances policiais, Sir Arthur Conan Doyle, num dos seus contos de Sherlock Holmes.1 Nele, Holmes refere o “curioso incidente do cão durante a noite”, ou seja, o facto de o cão de guarda não ladrar, sendo por isso amigo dos criminosos. Siba Siba foi assassinado a 11 de Agosto de 2001, numa altura em que a comunidade internacional estava a injectar dinheiro em Moçambique.”
“O país tinha-se tornado o “queridinho” dos doadores por fazer tudo o que lhe era exigido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Mundial. Uma das coisas exigidas era a privatização dos bancos e Siba Siba foi a sexta pessoa assassinada relacionada com esta questão
A reunião do Grupo Consultivo de doadores, em Outubro de 2001, realizou-se apenas dois meses depois do assassinato de Siba Siba e menos de um ano depois de o mais importante jornalista de investigação de Moçambique, Carlos Cardoso, ter sido morto a tiro, numa das ruas de Maputo.” “Moçambique pediu 600 milhões de dólares em ajuda e recebeu 722 milhões de dólares dos doadores. A promessa de mais dinheiro do que Moçambique pediu, mostrou que a comunidade internacional reconhecia “o bom desempenho do governo” e que isso “se sobrepõe ao escândalo bancário e aos assassinatos de Siba Siba Macuácua e Carlos Cardoso”, escreveu o ex-ministro da Segurança Sérgio Vieira.2 A afirmação de Vieira estava correcta. Surpreendentemente, nenhuma das pessoas que roubaram milhões de dólares, geriram mal os bancos e ordenaram seis assassinatos foi processada, sob o silêncio dos doadores.”





