O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, abriu na passada quarta-feira, 13 de Agosto, em Maputo, a Assembleia-geral do Africa50, com um apelo a investimentos privados e parcerias estratégicas que impulsionem a industrialização, a integração regional e o desenvolvimento sustentável de Moçambique.
Destacando o potencial do país em sectores como energia, transportes, logística e digitalização, o Chefe do Estado sublinhou que “o Africa50 é mais do que uma instituição financeira. É uma plataforma de soluções africanas para os desafios africanos”.
O estadista saudou o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e do Africa50, Akinwumi Adesina, destacando o papel da sua liderança na promoção de projectos de energia, estradas e investimentos que geram emprego e impulsionam o desenvolvimento no continente africano. Recordou o primeiro encontro entre ambos, na Etiópia, onde apresentou os activos estratégicos de Moçambique, desde a energia e transportes aos três corredores de desenvolvimento (Maputo, Beira e Nacala) e à aposta na digitalização.
O Chefe do Estado reafirmou o compromisso assumido na sua tomada de posse: “promover o investimento privado em infra-estruturas resilientes, assegurando um acesso justo, transparente e competitivo, de forma a torná-las mais eficientes e posicionadas como plataformas logísticas regionalmente competitivas”.
Entre as iniciativas em curso com o Africa50, destacou projectos em energia, integração regional, transporte, logística e digitalização, incluindo a construção de postos fronteiriços de paragem única para dinamizar o comércio africano.
A sessão contou com a assinatura de memorandos de entendimento, nomeadamente com a Electricidade de Moçambique (EDM), para garantir energia fiável e acessível, e para a construção de fronteiras de paragem única, visando facilitar a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana. “Cada uma destas iniciativas promove emprego, diversificação económica e desenvolvimento sustentável de Moçambique e da SADC”, frisou o governante.
O Presidente Chapo realçou ainda a posição geoestratégica de Moçambique, com mais de 2.500 quilómetros de costa e portos de águas profundas que ligam o país aos grandes mercados globais, bem como os recursos energéticos, incluindo gás, hidroelectricidade e solar, que “posicionam o país como fornecedor de segurança energética para a região da SADC”. Referiu que está em curso um programa para universalizar o acesso à energia até 2030, apoiado por iniciativas como a Missão 300, liderada pelo BAD e pelo Banco Mundial.
“Desde 2018, implementamos a Estratégia Nacional de Electrificação e o Programa Energia para Todos, aumentando o acesso à electricidade de 31 por cento para 62 por cento da nossa população.
Ultrapassámos 400 mil novas ligações/ano, nos últimos dois anos”, afirmou, sublinhando que Cahora Bassa e Mphanda Nkuwa são motores da transformação económica nacional.
O evento, que reúne líderes africanos, investidores e parceiros internacionais, serve também de antecâmara para o Fórum Presidencial de Investimento em Infra-estruturas, que Moçambique acolherá nos próximos meses. A iniciativa terá como foco projectos de energia, corredores económicos e logísticos, e digitalização e conectividade continental, visando concretizar “uma África conectada, industrializada e energeticamente soberana”.
Akinwumi Adesina manifestou a sua prontidão para trabalhar com o Governo moçambicano na materialização da visão de desenvolvimento, assegurando que Moçambique pode contar com o BAD e com o Africa50 para complementar projectos estratégicos, especialmente no sector das infra-estruturas. “Estamos orgulhosos em trabalhar em parceria com Moçambique”, declarou.
No fim do seu discurso, o Presidente Daniel Chapo apelou a que a Assembleia se traduza em “investimentos concretos, oportunidades tangíveis para empresários nacionais e internacionais e esperança renovada para milhões de africanos, em particular para o povo moçambicano”, declarando formalmente aberta a reunião magna do Africa50 em Maputo.





