Reinaldo Ferreira Escritor do Mês de Junho Pelo Camões em Maputo

No âmbito da iniciativa Escritor do Mês, o Camões-Centro Cultural Português em Maputo dedica o mês de Junho ao poeta Reinaldo Ferreira.

Esta actividade, coordenada por Mário Secca, tem como objectivo aprofundar o conhecimento da obra de escritores de língua portuguesa, nomeadamente autores portugueses e moçambicanos. Neste caso específico, foi escolhido o poeta e dramaturgo Reinaldo Ferreira, cujo centenário do nascimento foi celebrado em 2022.

A sessão de animação de leitura será dinamizada pelo Aurélio Cuna, docente de literatura moçambicana na Faculdade de Letras da Universidade Eduardo Mondlane. Participará, igualmente, a actriz Ana Magaia, com a leitura de poesias da obra Poemas, editada pela primeira vez em 1960, entre outros textos.

Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira nasceu em 1922, em Barcelona, filho do conhecido jornalista português Reinaldo Ferreira, “Reporter X”. Desde os anos 20, Reinaldo estabeleceu-se em Moçambique, onde foi funcionário público, poeta, dramaturgo e contista, autor de diversas revistas teatrais. Dirigiu igualmente peças radiofónicas na Rádio Moçambique, tendo dinamizado o programa “Teatro em Sua Casa”, precursor da “Cena Aberta”, ex libris dos programas radiofónico no pós-independência.

No dizer de Nelson Saúte, “Reinaldo Ferreira permanece, à distância de seis décadas, omisso, desconhecido, deslembrado, esquecido, não obstante a obra de grande quilate que então legatou, reunida e publicada, por um grupo de amigos, no ano ulterior ao seu óbito, sob a chancela da Imprensa Nacional e com o título “Poemas“.

Segundo Eugénio Lisboa, Reinaldo foi um poeta “rigorosamente desconhecido na Metrópole e profundamente admirado por um número reduzido de amigos ou simples conhecidos”. Eugénio Lisboa ainda acrescentava que “os seus poemas circulavam há muito de mão em mão, aqui e acolá publicados em jornais ou revistas, republicados, modificados, retomados, com aquela admiração e veneração sempre vivas que só as coisas realmente belas costumam motivar” (citado por Saúte, ibid.)

Aurélio Cuna

Licenciado em Linguística e Literatura pela Universidade Eduardo Mondlane, Aurélio Cuna foi colunista do jornal Meia-noite. Actualmente é docente de literatura na Faculdade de letras e Ciências Sociais da UEM e tem sido júri em diversos concursos literários.

Publicou a obra “Estatuto e focalização, modalidades técnico-narrativas propensas à expressão de ideologias em Godido, João Dias, e Portagem, Orlando Mendes” (Maputo, Livaningo, 2012), entre outros artigos divulgados em antologias e revistas literárias.

Ana Magaia

Ana dos Remédios Magaia, nascida no Xipamanine, aos 13 anos passou a ter contacto permanente com a cidade e aos 18 ganhou o mundo. Começou pela poesia e pelo teatro na escola primária. Cursou artes cénicas na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. Aos 22 anos protagonizou o “seu” primeiro filme (Maputo Mulher). De seguida, foi co-protagonista da primeira ficção, longa-metragem moçambicana (O Tempo dos Leopardos).

Representou, tanto no teatro como no cinema, inúmeros papéis icónicos nos palcos de Moçambique e de além-fronteiras.

É formadora da Oficina de Oralidade do Prémio Eloquência Camões, desde a sua criação, em 2003.

Recebeu, entre outras, as seguintes homenagens e distinções:

  • Homenagem atribuída por Samora Machel pelo filme “O Tempo dos Leopardos” (1985)
  • Homenagem atribuída pela Escola Portuguesa de Moçambique por ocasião do Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas (1998)
  • Medalha de Mérito Artes e Cultura pelo Governo de Moçambique (2019)
  • Prémio Melhor Actriz Secundária de África, no Festival Quisima – Quénia (2020)
  • Prémio Melhor Actriz, por ocasião do Dia Mundial do Teatro, pela Casa de Cultura da Cidade de Maputo (2022)
  • Homenageada no Projecto “Homenagem aos Guardiões da Moral e da Cultura” em Nlhambetuene, Distrito de Marracuene (2024)

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