“Um dos feitos de maior orgulho para mim enquanto músico, pesquisador e activista da Mbira em Moçambique e em África, foi certamente o estabelecimento do primeiro conceito de orquestra utilizando somente mbiras em Moçambique. Na qualidade de construtor, tive que conceber primeiro as diferentes disposições tonais com um mínimo de três Mbiras afinadas em três oitavas diferentes da mesma afinação, procedimento que foi inovador e bem conseguido, resultante dos automatismos e pesquisas do atelier Mukhambira/Marracuene”.
“A partir daquele ponto, passou a existir uma base fisicamente sólida em termos de instrumentos para se ilustrar de forma concreta o sonho de uma possível e inovadora ideia de uma orquestra de Mbira moçambicana. Guiado pela ansiedade e emoção de ver a ideia deste conceito materializado o mais rápido possível, iniciei conversações com os músicos mais destacados da comunidade de Mbira de Moçambique, auscultando-os sobre a inovadora ideia e persuadindo-os o quanto baste a fazerem parte daquele projecto verdadeiramente inovador no cenário musical moçambicano”.
“Reconheço e orgulho-me em dizer de viva voz que o prestígio do atelier Mukhambira tornara os procedimentos subsequentes mais facilitados, sendo que eu introspectivamente já sabia com quem poderia ou não contar para este grande desafio cuja efectivação veio tornar-se num ponto de viragem pela positiva da nossa história musical mais recente”.
“As imagens mostram alguns encontros de confraternização entre mbireiros que foram acontecendo no ateliêr Mukhambira, em que por detrás das espontâneas sessões de jams, já estava em andamento a selecção da dream team para fazerem parte da orquestra, depois aconteceu o primeiro ensaio oficial da orquestra que culminou com a primeira apresentação em público da orquestra Mukhambira, que foi no prestigiante festival Poetas D’Alma no centro cultural Moçambique Alemanha”.
“Quero mais uma vez reiterar os meus profundos agradecimentos ao poeta e activista cultural Féling Capela, director fundador do festival”.
“Strong moto m’djindja aos demais militantes da cultura moçambicana que tem influenciado positivamente e sem segundas intenções a ascensão da mbira no cenário cultural moçambicano”.





