Aparentemente com abatimento caquéctico, Ossufo Momade, o presidente do partido Renamo reapareceu em público esta quarta-feira, 4 de Junho, em Maputo, com um discurso de que permanece em pedra e cal na presidência da Renamo e que os problemas que o partido vive actualmente não são da sua culpa e aos combatentes e desmobilizados apela a calma e respeito pelos procedimentos internos do partido.
Falando durante o seu discurso de abertura da apressada IV Conferencia Nacional da ACOLDE, Associação dos Combatentes da Luta pela Democracia, Ossufo Momade, disse que a culpa do caos no seu partido começou com a gigantesca fraude registada nas sétimas eleições presidenciais e legislativas de Outubro de 2024, que geraram uma onda de violência e que para além de centenas de mortes causou a desaceleração económica do país e empurrou a Renamo para o terceiro mais votado partido no parlamento.
Ossufo Momade referiu-se também ao encerramento das sedes do partido e do seu gabinete pelos desmobilizados da Renamo e pediu aos combatentes que mantenham a calma e observem o diálogo respeitando também as estruturas internas.
Ossufo Momade denuncia também morosidade da parte da comunidade internacional no cumprimento dos compromissos assumidos nos acordos do Desmobilização, Desarmamento e Reintegração, DDR, envolvendo também Filipe Jacinto Nyusi. Lembrou aos seus companheiros do partido que nem a Renamo nem ele Ossufo Momade é quem define e paga os valores das pensões dos desmobilizados na medida em essa é tarefa do estado, explica Ossufo, sem se referir àqueles que dizem que o problema da Renamo é Ossufo Momade.
Visivelmente ‘num beco sem saída’ o presidente da Renamo lembrou que a equipa da comunidade internacional que não está a honrar com os seus compromissos nos acordos do DDR era dirigida pelo Embaixador Mirko Manzoni, na altura enviado pessoal secretario geral da ONU.
Com segurança reforçada, entre guardas da Renamo e agentes da polícia da república, o presidente da Renamo disse ainda que nunca recebeu dinheiro dos desmobilizados “por isso desafiamos aos acusadores a apresentar provas”. Na sua intervenção não se referiu a pretensão dos desmobilizados que não concordam com a sua liderança e querem-lhe fora. O presidente da Renamo negou a marginalização dos desmobilizados porque estão representados nos diversos órgãos estabelecidos no partido, desde o Conselho Nacional, representação parlamentar e em todos outros órgãos internos.
Como presidente da Renamo, Ossufo Momade foi eleito no sexto congresso da Renamo em Sofala em 2019, que deu origem aos protestos de Mariano Nhongo; também e reeleito no ano passado de 2024 no sétimo congresso realizado na província da Zambézia, que ficou marcado pela exclusão de Venâncio Mondlane e escaramuças no acesso de Manuel de Araújo ao local do congresso.





