Taxa de Juro de Política Monetária Reduz para 11,00 % Enquanto a Inflação Mantém em Um Dígito

O Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique decidiu reduzir a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, de 11,75% para11,00%. Esta medida decorre, essencialmente, da consolidação das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflectindo, em parte, a tendência favorável dos preços internacionais de bens e serviços, não obstante a manutenção, a nível doméstico, de elevados riscos e incertezas associados às projecções.

A presente sessão do CPMO foi precedida da reunião do Comité de Estabilidade e Inclusão Financeira do Banco de Moçambique, que fez uma avaliação do risco sistémico e das principais vulnerabilidades, igualmente reflectida neste Comunicado, e concluiu que o sistema financeiro nacional continua estável e resiliente.

As perspectivas da inflação mantêm-se em um dígito no médio prazo. Em Abril de 2025, a inflação anual desacelerou para 4,0 %, após 4,8 % em Março. A inflação subjacente, que exclui frutas e vegetais e bens com preços administrados, também desacelerou. A manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, no médio prazo, reflecte, essencialmente, a estabilidade do Metical, o impacto das medidas tomadas pelo CPMO e a tendência de redução dos preços internacionais de bens e serviços.

O sector bancário mantém-se sólido, capitalizado e resiliente. Em Março de 2025, o rácio de solvabilidade fixou-se em 26,5 %, acima do mínimo regulamentar de 12,0 %, e o rácio de liquidez foi de 59,5 %, igualmente acima do mínimo regulamentar de 25,0 %. O teste de esforço de solvência macro prudencial, que consiste na simulação de choques para avaliar a resiliência do sector bancário, mostrou que este sector tem reservas de capital suficientes para absorver potenciais perdas e manter-se sólido e capitalizado no médio prazo.

O risco sistémico, que avalia o potencial efeito de contágio decorrente de perturbações no sistema bancário, é moderado. Esta avaliação reflecte a redução das taxas de juro e do nível do crédito em incumprimento no mercado, não obstante o aumento da exposição do sector bancário ao endividamento público.Com efeito, a dívida pública interna, excluindo os contratos de mútuo e de locação e as responsabilidades em mora, situa-se em 445,9 mil milhões de meticais, o que representa um aumento de 30,3 mil milhões em relação a Dezembro de 2024.

As taxas de juro do mercado monetário continuam a reduzir. A taxa de juro de referência para o crédito, Prime Rate, continua a reduzir, em linha com as decisões de política monetária. O mesmo comportamento observa-se nas taxas de juro que os bancos praticam com os seus clientes.

Os riscos e incertezas domésticos associados às projecções da inflação mantêm-se elevados. Destacam-se como prováveis factores do aumento da inflação, no médio prazo, os impactos do agravamento da situação fiscal, num contexto de crescentes desafios para a mobilização de recursos financeiros para o Orçamento do Estado, as incertezas quanto à velocidade da reposição da capacidade produtiva e de oferta de bens e serviços e os efeitos dos choques climáticos.

O CPMO continuará com o processo de normalização da taxa MIMO no médio prazo. O ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas subjacentes às projecções do médio prazo.

A próxima reunião ordinária do CPMO está marcada para o dia 30 de Julho de 2025.

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