Notícias sobre a instabilidade política no seio do partido Renamo, que se agravou com a tomada da sede nacional pelos antigos guerrilheiros a 15 de Maio corrente, indicam que continuam a chegar a Maputo, vindo do resto do país, elementos que se identificam como antigos guerrilheiros do partido para se juntar ao grupo que tomou a sede central em Maputo.
João Machava, o único elemento do grupo que se comunica aceitavelmente em língua portuguesa, reitera a decisão de permanecer no interior da sede nacional, até que Ossufo Momade, o presidente do partido e seu elenco que inclui o secretariado-geral, se demita. Em causa está o descalabro eleitoral do partido nas últimas eleições legislativas e presidenciais do ano de 2024, em que o partido caiu de uma posição de segundo mais votado partido desde as eleições de 1994, em que a Renamo concorreu com Afonso Dhlakama contra Joaquim Chissano da Frelimo.
Esta semana, a Comissão Política do partido Renamo disse que reuniu para analisar a crise e concluiu apelar a organização dos combatentes da Renamo para convocar, com carácter de urgência, uma conferência nacional de membros com vista a discutir a crise que o partido atravessa. Não há certeza de o apelo ter sido acatado, porque o grupo diz-se permanecer firme nos seus ideais.
O antigo guerrilheiro que revelou os factos ao nosso repórter recusou-se a falar dos aspectos logísticos do grupo, o número exacto de homens e mulheres que se encontram no interior da sede do partido incluindo aspectos como o acesso a alimentação, custos e despesas de deslocação das suas origens para Maputo. Perguntamos a João Machava como o grupo se preparou para reagir em caso de intervenção policial e ele respondeu que “nós somos militares e estamos preparados para tudo”. Alguns académicos acreditam na necessidade de alguma mediação para solução da crise renamista aparentemente devido a incapacidade demonstrada pelo actual presidente.
No entanto, depois da cidade da Beira, Maputo tem sido um dos grandes centros de manifestação política nacional depois de se tornar no epicentro das manifestações convocadas por Venâncio Mondlane em protesto aos resultados das sétimas eleições.
As autoridades governamentais de defesa e segurança ainda não se pronunciaram sobre a presença de homens desmobilizados no centro do coração de Maputo com espectro de ameaça de explosão.





