Chapo Diz Que Falhou Compra de 3 Aviões Devido a Problemas de Conflito de Interesse na LAM

O Presidente Daniel Chapo disse que uma das acções de impacto que tinha previsto para estes primeiros 100 dias da sua governação era a aquisição de três aeronaves para a empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), mas descobriu que, dentro da empresa, há pessoas com conflitos de interesse. Mas o Presidente não revelou os nomes das pessoas envolvidas na sabotagem da LAM que o impediu de cumprir a sua meta dos 100 dias no poder.

Segundo Chapo, a essas pessoas, que prefere não denunciar os nomes, não lhes interessa que a LAM tenha aviões próprios, mas, pelo contrário, interessa-lhes que a LAM continue a alugar aviões, porque com o aluguer de aviões ganham comissões. “E nós decidimos, como Governo que vamos reestruturar a LAM. Por isso, tivemos que cancelar todo o processo e reorientar o processo, uma vez que é importante que se cuide dos interesses do povo e não interesses de pessoas ou de grupos. Nós vamos reestruturar e, após a reestruturação, que vai incluir reestruturar pessoas para irem para casa sentar e deixarem-nos trabalhar, que vai culminar com a aquisição dos aviões” garantiu Daniel Chapo meio embaraçado com a situação, que aparentemente envolve graúdos do seu partido, entre antigos combatentes e antigos governantes.

Chapo fez estas declarações esta segunda-feira, 28 de Abril, no balanço dos primeiros cem dias da sua governação.

Nas suas revelações, bombásticas, sobre a LAM, Daniel Chapo, como que a justiçar o fracasso nos primeiros 100 dias de governo numa área sensível como a aviação, Daniel Chapo insistiu com acusações de pessoas sem rosto. “Estamos a dizer isso porque o processo atinente às primeiras três aeronaves fez com que pessoas saíssem de Moçambique com o dinheiro dos novos accionistas disponível e foram ficar 15 dias na Europa para inspeccionarem aviões e voltarem para Moçambique e dizer que não conseguiram inspeccionar nem um avião sequer. Coisa que não faz sentido e não tem lógica. Por isso, quero aproveitar esta ocasião para dizer ao povo moçambicano, do Rovuma ao Maputo, que esta é uma fase que estamos a passar, mas depois da tempestade vem a bonança”.

O facto é que nos primeiros 100 dias de governação de Daniel Chapo, a LAM parece ter regredido, passando a transportar a carga por via terrestre porque não já não tem sequer uma aeronave, incluindo alugada. Chapo desde que entrou para a Presidência fez mexidas no Conselho da Administração e alterou a estrutura accionista da empresa, passando a integrar a HCB e a EMOSE. Relatórios recentes indicam que a LAM tem sido usada como que ‘vaca leteira’ do partido Frelimo, que suporta o governo de Chapo.

Este mês o Gabinete Central de Combate a Corrupção fez referencia a um processo – crime, autuado no dia 21 de Fevereiro de 2024, cujo objecto sob investigação incide sobre 84 aparelhos de pagamento electrónico – POS, apreendidos numa operação em 20 terminais de venda de bilhetes e de serviço de transporte de carga das Linhas Aéreas de Moçambique, SA – (LAM-SA), nas Cidade da Beira, Quelimane, Tete, Pemba, Nampula, Nacala e Lichinga, com suspeita não pertencerem a empresa e por conseguinte, os pagamentos de passagens aéreas foram efectuados à outras entidades que não sejam a LAM.

O processo não tem arguidos ainda constituídos, está em instrução, com investigações visando identificar a titularidade ou pertença das POS (ponto de venda), apurar o prejuízo decorrente do provável desvio do valor das receitas proveniente das vendas de bilhetes e transporte de carga, identificar os autores, determinar as respectivas responsabilidades e colher mais elementos de prova.

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