O governo está esta semana no parlamento para prestar informações solicitadas pelas 4 Bancadas Parlamentares e informar ao povo moçambicano sobre a actual situação política, económica e social do nosso país.
Moçambique tem vindo a registar, desde os finais do ano passado e princípio deste ano, situações desafiantes, caracterizadas pela persistência de acções terroristas em Cabo Delgado, manifestações violentas, ocorrência do fenómeno “el niño” e dos ciclones Chido, Dikeledi e Jude.
A Primeira-ministra, que dirige o governo no parlamento, considera que esta situação impactou negativamente na manutenção da paz, estabilidade política, económica e social e, consequentemente, no processo de desenvolvimento do nosso país.
A título ilustrativo, Benvinda Levi disse que devido as manifestações violentas pós-eleitorais, a economia registou, no quarto trimestre de 2024, uma contracção em -4.87%, contrariando a tendência de crescimento que vinha registando no primeiro, segundo e terceiro trimestre que se situou na ordem de 3.2%, 4.5% e 3.68%, respectivamente.
A persistência das manifestações violentas nos primeiros meses do corrente ano que se caracterizaram por vandalizações, destruições de propriedades públicas e privadas, limitação da livre circulação de pessoas e bens, afectou negativamente o tecido social, económico e empresarial, o que está a ter repercussões no custo de vida dos moçambicanos.
A título ilustrativo, durante as manifestações violentas, do levantamento realizado até agora, foram destruídos mais de 955 estabelecimentos económicos e sociais, o que levou ao desemprego cerca de 50 mil pessoas, um número que poderá vir a aumentar.
Em termos de custo para a economia, explicou a Primeira-ministra, esta situação gerou um prejuízo calculado em cerca de 32.2 mil milhões de meticais.
“Tem vindo a contribuir igualmente para o fraco desempenho da nossa economia os impactos negativos dos ciclones tropicais Chido, Dilekeledi e Jude, que assolaram as províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Sofala, Manica e Tete. Estes ciclones que afectaram mais de 1.7 milhões pessoas, lamentavelmente, causaram a morte de 178 concidadãos, bem como a destruição parcial e/ou total de infra-estruturas públicas, privadas e de vários hectares de culturas agrícolas diversas”.
No domínio socioeconómico, explicou ainda Benvinda Levi aos deputados, o Governo, em coordenação com o sector privado e outros parceiros, tem estado a adoptar medidas e acções para assegurar a rápida recuperação da economia do nosso país. A título de exemplo, a parceria entre o Governo e a Associação Moçambicana de Bancos permitiu disponibilizar uma linha de crédito bonificada de 10 mil milhões de meticais para financiar a tesouraria e os investimentos das empresas afectadas pelas manifestações violentas pós-eleitorais.
A par disso, o governo garante que está a operacionalizar o Fundo de Recuperação Empresarial, no valor de mais de 300 milhões de meticais, financiado pelo Banco Mundial, a fim de garantir a recuperação do tecido empresarial e, deste modo, evitar a perda de mais postos de emprego. “Para mitigar os impactos dos ciclones que assolaram o nosso país, temos vindo a providenciar assistência humanitária, a criar condições para a retoma da vida normal dos afectados, incluindo a reconstrução resiliente das suas habitações” explicou Benvinda Levi na sua primeira aparição no pódio da Assembleia da República como Primeira-ministra do Governo de Moçambique sob presidência de Daniel Chapo.





